← Voltar às formações

Por que devemos rezar pelos sacerdotes?

À luz de São João Maria Vianney, entenda por que devemos rezar pelos sacerdotes e como essa oração sustenta sua santidade e missão pastoral.

Imagem de um sacerdote oferecendo o Santo Sacrifício da Missa

No dia 4 de agosto, a Igreja celebra São João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars, que foi proposto por Pio XI como padroeiro de todos os párocos do mundo. Sua vida, inteiramente dedicada à oração, à penitência, à Eucaristia, à pregação e ao confessionário, mostra que a fecundidade de uma paróquia depende, antes de tudo, da graça de Deus, da santidade do pastor e da resposta fiel do povo.

Sua memória também nos ajuda a responder a uma pergunta necessária: por que devemos rezar pelos sacerdotes? Porque eles receberam de Cristo uma missão indispensável para a vida da Igreja, mas continuam sendo homens necessitados de conversão, fortaleza e perseverança. Quanto maior é o dom confiado a um sacerdote, maior é a responsabilidade que ele carrega e mais necessária se torna a oração daqueles que recebem os frutos de seu ministério.

O sacerdote é um dom de Cristo à Igreja

São João Maria Vianney costumava dizer que “o sacerdócio é o amor do Coração de Jesus”. Essa afirmação não pretende colocar a personalidade do padre no centro da Igreja, pois o centro é sempre Nosso Senhor, mas reconhecer a origem do ministério sacerdotal: é Cristo quem chama, consagra e envia alguns homens para servirem ao seu povo por meio da pregação, do cuidado pastoral e, sobretudo, dos sacramentos.

O Catecismo da Igreja Católica ensina que o sacerdócio ministerial está a serviço do sacerdócio comum de todos os batizados e que, no ministério do sacerdote ordenado, o próprio Cristo se faz presente à Igreja como Cabeça, Pastor, Mestre e Sumo Sacerdote. Em virtude do sacramento da Ordem, o padre age in persona Christi Capitis, isto é, na pessoa de Cristo Cabeça, especialmente quando oferece o Sacrifício eucarístico e administra os sacramentos (cf. CIC 1547-1551).

Por meio do ministério sacerdotal, somos batizados, recebemos o Corpo e o Sangue do Senhor, ouvimos as palavras da absolvição e somos assistidos na enfermidade. O sacerdote anuncia a doutrina, acompanha famílias, visita doentes, consola os enlutados e permanece ao lado do povo em momentos que quase ninguém mais presencia. Por isso, conserva toda a sua força outra afirmação do Cura d’Ars: “O padre não é padre para si mesmo, é-o para vós”.

Se recebemos tantos bens espirituais pelas mãos dos sacerdotes, a gratidão cristã não pode limitar-se a elogios ocasionais. Ela deve transformar-se em intercessão perseverante, para que permaneçam unidos a Cristo e sejam fiéis ao dom recebido.

Um tesouro confiado a homens frágeis

A grandeza do sacerdócio não elimina a fragilidade daquele que o recebe. A Carta aos Hebreus ensina que o sacerdote é tomado dentre os homens e constituído em favor deles nas coisas que se referem a Deus (cf. Hb 5,1). A graça da Ordem o configura de modo permanente a Cristo Sacerdote, mas não apaga automaticamente seu temperamento, suas limitações, seu cansaço, suas tentações ou a necessidade diária de conversão.

O próprio Catecismo adverte que a presença de Cristo no ministro não significa que ele esteja preservado de todas as fraquezas humanas, dos erros, do desejo de domínio ou do pecado (cf. CIC 1550). O padre traz, portanto, um tesouro em vaso de barro (cf. 2Cor 4,7) e necessita da graça não apenas para cumprir exteriormente suas funções, mas para adquirir os sentimentos do Coração de Jesus e tornar-se, em sua vida, aquilo que sacramentalmente foi chamado a ser.

Além das lutas comuns a todo cristão, muitos sacerdotes carregam decisões difíceis, jornadas irregulares, solidão, incompreensões, enfermidades, desânimo e a responsabilidade espiritual por numerosas almas. Em sua carta aos presbíteros de 4 de agosto de 2019, o Papa Francisco recordou os padres que, mesmo no cansaço, na doença ou na desolação, continuam servindo silenciosamente a Deus e ao seu povo. Rezar por eles é uma obra concreta de caridade e uma forma de tomar parte nos sofrimentos daqueles que nos servem.

A Sagrada Escritura nos ensina a rezar pelos pastores

Rezar pelos sacerdotes não é somente uma prática piedosa recomendada por alguns santos, pois essa intercessão possui fundamento direto na Palavra de Deus. Diante das multidões cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor, Nosso Senhor declarou que a messe era grande e os operários eram poucos, ordenando aos discípulos que pedissem ao Senhor da messe o envio de trabalhadores (cf. Mt 9,36-38).

A Igreja apostólica também compreendeu essa responsabilidade comum. Enquanto Pedro estava encarcerado, a comunidade rezava insistentemente a Deus por ele (cf. At 12,5). São Paulo, embora escolhido pelo Senhor e fortalecido por graças extraordinárias, pediu aos cristãos: “Irmãos, orai por nós” (1Ts 5,25), e solicitou aos efésios que intercedessem para que pudesse anunciar corajosamente o Evangelho (cf. Ef 6,18-20).

Se os próprios Apóstolos quiseram ser sustentados pela oração dos fiéis, nenhum pastor pode ser considerado autossuficiente, assim como nenhuma comunidade cristã deve tratar o padre como simples prestador de serviços religiosos. A Igreja é um corpo no qual os membros cuidam uns dos outros, e a oração do povo acompanha aqueles que receberam o encargo de ensinar, santificar e governar em nome de Cristo.

A própria liturgia confirma esse dever. Na Missa Crismal, depois que os presbíteros renovam suas promessas sacerdotais, o bispo dirige-se ao povo e pede que reze por eles, para que o Senhor derrame seus dons e os conserve como fiéis ministros de Cristo, Sumo Sacerdote. A Igreja, portanto, não confia a perseverança de seus ministros somente à capacidade humana, mas coloca continuamente o sacerdócio sob a ação da graça.

A santidade do sacerdote beneficia todo o povo

Os sacramentos não recebem sua eficácia da santidade pessoal do ministro, pois é o próprio Cristo quem age neles. Assim, a indignidade de um sacerdote não impede, por si mesma, que Cristo comunique a graça por meio de um sacramento validamente celebrado (cf. CIC 1584). Essa verdade protege os fiéis da ideia equivocada de que a ação divina dependeria da perfeição moral do homem que a serve.

Isso, porém, não torna indiferente a vida espiritual do padre. O decreto Presbyterorum Ordinis, especialmente no número 12, ensina que a santidade dos presbíteros contribui poderosamente para a fecundidade de seu ministério. Um sacerdote unido a Cristo, fiel à oração, reverente no altar, obediente à Igreja, zeloso pela verdade e caridoso com as almas torna-se um instrumento mais dócil nas mãos de Deus, de modo que sua pregação, seus conselhos e seu exemplo conduzem o povo com maior clareza pelo caminho da santidade.

São João Maria Vianney compreendeu essa relação de maneira admirável. Quando chegou à pequena e religiosamente enfraquecida aldeia de Ars, não confiou primeiramente em seus talentos naturais, mas pediu a Deus a conversão da paróquia e se dispôs a sofrer por ela. Sua perseverança diante do sacrário, suas penitências, a celebração devota da Santa Missa, a catequese e a dedicação ao confessionário fizeram de Ars um lugar de conversão procurado por pessoas de muitas regiões.

Quando pedimos a santificação dos sacerdotes, portanto, não buscamos apenas o bem particular deles. Pedimos também pelas crianças que serão batizadas, pelos pecadores que precisarão de absolvição, pelos enfermos que aguardarão os últimos sacramentos, pelas famílias que necessitarão de direção e por todos aqueles que poderão aproximar-se de Deus pelo testemunho de seus pastores.

Como rezar pelos sacerdotes na prática

A oração pelos sacerdotes pode ser incorporada à vida cristã de maneira simples, fiel e constante:

  1. Rezar diariamente pelo próprio pároco, pelo bispo diocesano e pelos sacerdotes que nos administraram os sacramentos, apresentando cada um deles nominalmente ao Senhor.
  2. Oferecer por sua santificação a participação na Santa Missa, a Comunhão, uma visita ao Santíssimo Sacramento, o Rosário, uma penitência ou algum sofrimento vivido em união com a Cruz de Cristo.
  3. Lembrar especialmente os padres recém-ordenados, idosos, enfermos, perseguidos, sobrecarregados, desanimados ou espiritualmente provados, bem como aqueles que exercem o ministério em lugares pobres, isolados ou perigosos.
  4. Unir a oração às obras, oferecendo aos sacerdotes respeito, amizade cristã e colaboração generosa, sem alimentar murmurações, intrigas ou disputas que enfraquecem a comunhão da paróquia.

São João XXIII, na encíclica Sacerdotii Nostri Primordia, pediu que todos os fiéis oferecessem orações constantes por seus sacerdotes e os ajudassem, cada qual segundo suas possibilidades, a alcançar a santidade. O Concílio Vaticano II fez exortação semelhante ao ensinar que os leigos devem tomar parte nas preocupações de seus presbíteros e auxiliá-los com orações e obras, para que possam vencer as dificuldades e cumprir mais frutuosamente sua missão (cf. Presbyterorum Ordinis, 9).

Uma responsabilidade de todo o povo de Deus

Rezamos pelos sacerdotes não porque imaginamos que todos já sejam santos, mas precisamente para que se tornem santos; não porque o ministério recebido seja pequeno ou dispensável, mas porque um dom tão sublime foi confiado a homens que continuam necessitados da misericórdia e da graça. Se eles apresentam diariamente nossas necessidades diante do altar de Deus, é justo que nós também os apresentemos ao Senhor em nossas orações.

Na memória de São João Maria Vianney, peçamos que cada sacerdote seja um homem de Deus, fiel à doutrina da Igreja, enamorado da Eucaristia, disponível no confessionário, dedicado à oração e consumido pela caridade pastoral. Uma paróquia que reza por seu padre deixa de tratá-lo como simples prestador de serviços e começa a viver mais profundamente a comunhão do Corpo de Cristo, no qual pastores e fiéis caminham juntos para a vida eterna.

Oração pelos sacerdotes

Senhor Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, que escolhestes homens dentre o vosso povo para servirem aos mistérios da salvação, conservai os vossos sacerdotes unidos ao vosso Coração e fiéis às promessas de sua ordenação. Dai-lhes amor pela Santa Missa, zelo pela verdade, pureza de vida, fortaleza nas tentações, paciência nos sofrimentos e caridade incansável pelas almas.

Sustentai os que estão cansados, consolai os que vivem na solidão, fortalecei os perseguidos, curai os feridos e reconduzi à fidelidade aqueles que se afastaram do caminho. Pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Cristo Sacerdote, e de São João Maria Vianney, guardai os sacerdotes na vossa graça e conduzi-os à santidade. Amém.

O Oratio também reúne a tradicional Oração pelos Sacerdotes, atribuída a Santa Teresinha do Menino Jesus, para aqueles que desejam perseverar diariamente nessa intenção.

Fontes e referências

  • Sagrada Escritura: Mateus 9,36-38; Atos dos Apóstolos 12,5; 2 Coríntios 4,7; Efésios 6,18-20; 1 Tessalonicenses 5,25; Hebreus 5,1.
  • Catecismo da Igreja Católica, números 1544 a 1553, 1562 a 1568 e 1581 a 1584.
  • Concílio Vaticano II, decreto Presbyterorum Ordinis, números 9, 11, 12 e 22.
  • São João XXIII, encíclica Sacerdotii Nostri Primordia, especialmente números 106 a 108.
  • Bento XVI, Carta para a proclamação do Ano Sacerdotal, 16 de junho de 2009.
  • Francisco, Carta aos presbíteros por ocasião dos 160 anos da morte do Cura d'Ars, 4 de agosto de 2019.
  • Missal Romano, Missa Crismal, Renovação das Promessas Sacerdotais.