Ofício das Leituras
Ofício das Leituras de Sexta-feira da 2ª Semana do Saltério
Sexta-feira, 7 de agosto de 2026
℣. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
℟. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.
Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.
Hino
I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:
Ao som da voz do galo,
já foge a noite escura.
Ó Deus, ó luz da aurora,
nossa alma vos procura.
Enquanto as coisas dormem,
guardai-nos vigilantes,
brilhai aos nossos olhos
qual chama cintilante.
Do sono já despertos,
por graça imerecida,
de novo contemplamos
a luz, irmã da vida.
Ao Pai e ao Filho glória,
ao seu Amor também,
Deus Trino e Uno, luz
e vida eterna. Amém.
II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:
Criador do Universo
do Pai luz e resplendor,
revelai-nos vossa face
e livrai-nos do pavor.
Pelo Espírito repletos,
templos vivos do Senhor,
não se rendam nossas almas
aos ardis do tentador,
para que, durante a vida,
nas ações de cada dia,
pratiquemos vossa lei
com amor e alegria.
Glória a Cristo, Rei clemente,
e a Deus Pai, Eterno Bem,
com o Espírito Paráclito,
pelos séculos. Amém.
Salmodia
Ant.1 Repreendei-me, Senhor, mas sem ira! †
Salmo 37(38)
Súplica de um pecador em extremo perigo
Todos os conhecidos de Jesus ficaram à distância (Lc 23,49).
I
–2 Repreendei-me, Senhor, mas sem ira; *
† corrigi-me, mas não com furor!
–3 Vossas flechas em mim penetraram; *
vossa mão se abateu sobre mim.
–4 Nada resta de são no meu corpo, *
pois com muito rigor me tratastes!
– Não há parte sadia em meus ossos, *
pois pequei contra vós, ó Senhor!
–5 Meus pecados me afogam e esmagam, *
como um fardo pesado me oprimem.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant.1 Repreendei-me, Senhor, mas sem ira! †
Ant.2 Conheceis meu desejo, Senhor.
II
–6 Cheiram mal e supuram minhas chagas *
por motivo de minhas loucuras.
–7 Ando triste, abatido, encurvado, *
todo o dia afogado em tristeza.
–8 As entranhas me ardem de febre, *
já não há parte sã no meu corpo.
–9 Meu coração grita e geme de dor, *
esmagado e humilhado demais.
–10 Conheceis meu desejo, Senhor, *
meus gemidos vos são manifestos;
=11 bate rápido o meu coração, †
minhas forças estão me deixando, *
e sem luz os meus olhos se apagam.
=12 Companheiros e amigos se afastam, †
fogem longe das minhas feridas; *
meus parentes mantêm-se à distância.
–13 Armam laços os meus inimigos, *
que procuram tirar minha vida;
– os que buscam matar-me ameaçam *
e maquinam traições todo o dia.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Conheceis meu desejo, Senhor.
Ant.3 Confesso, Senhor, minha culpa:
salvai-me, e jamais me deixeis!
III
–14 Eu me faço de surdo e não ouço, *
eu me faço de mudo e não falo;
–15 semelhante a alguém que não ouve *
e não tem a resposta em sua boca.
–16 Mas, em vós, ó Senhor, eu confio, *
e ouvireis meu lamento, ó meu Deus!
–17 Pois rezei: “Que não zombem de mim, *
nem se riam, se os pés me vacilam!”
–18 Ó Senhor, estou quase caindo, *
minha dor não me larga um momento!
–19 Sim, confesso, Senhor, minha culpa: *
meu pecado me aflige e atormenta.
=20 São bem fortes os meus adversários †
que me vêm atacar sem razão; *
quantos há que sem causa me odeiam!
–21 Eles pagam o bem com o mal, *
porque busco o bem, me perseguem.
–22 Não deixeis vosso servo sozinho, *
ó meu Deus, ficai perto de mim!
–23 Vinde logo trazer-me socorro, *
porque sois para mim Salvação!
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Confesso, Senhor, minha culpa:
salvai-me, e jamais me deixeis!
℣. Os meus olhos se gastaram de esperar-vos
℟. E de aguardar vossa justiça e salvação.
Primeira Leitura
Do Livro do Profeta Oséias 2,4.8-26
Castigo e futura volta da esposa do Senhor
Eis o que diz o Senhor: 4Contestai a vossa mãe, contestai, porque ela não é minha mulher nem eu seu marido; que ela se afaste dessa vida devassa, e elimine do seu corpo os adultérios. 8Por isso, resolvi cercar de espinhos o seu caminho, vou fechá-lo com entulho para impedir-lhe a passagem; 9ela irá atrás dos amantes, mas não os alcançará, procurá-los-á, mas não os achará, e dirá: "Vou voltar para o meu primeiro marido, quando eu era mais feliz do que agora". 10Ela ignorava que era eu quem lhe dava trigo, vinho e azeite, lhe enchia as mãos de prata e de ouro, de que Baal foi feito. 11Por isso, vou tomar de novo o meu trigo, a seu tempo, e o meu vinho, a seu tempo; vou retirar minha lã e meu linho, que cobriam suas partes íntimas; 12agora vou mostrar sua vergonha aos olhos dos seus amantes, quero ver alguém arrancá-la de minhas mãos. 13Vou acabar com a alegria dela, suas solenidades, a lua-nova, o sábado, e as ocasiões de festa. 14Vou estragar suas vinhas e figueiras, das quais ela dizia: "São os presentes que me deram meus amantes". Vou deixá-la em mato para pasto dos animais. 15Ela pagará pelos dias de culto aos Baals, quando lhes queimava incenso, punha brincos e joias e ia atrás dos seus amantes, enquanto se esquecia de mim, diz o Senhor.
16 Mas sou eu que a vou seduzir, levando-a à solidão, onde lhe falarei ao coração; 17dar-lhe-ei suas vinhas, do mesmo lugar, e o vale de Acor, porta da esperança, e ela aí responderá ao compromisso, como nos dias de sua juventude, nos dias da sua vinda da terra do Egito. 18Acontecerá nesse dia, diz o Senhor, que ela me chamará "Meu marido", e não mais chamará "Meu Baal". 19Tirarei de sua boca o nome dos Baals, de tal modo que não se lembrará mais deles. 20Naquele dia, farei um pacto com os homens, com os animais do campo, as aves do céu e os répteis da terra; quebrarei e lançarei fora o arco, a espada e as outras armas, e todos poderão repousar tranquilos. 21Eu te desposarei para sempre; eu te desposarei conforme as sanções da justiça e conforme as práticas da misericórdia. 22Eu te desposarei para manter fidelidade e tu conhecerás o Senhor. 23Acontecerá, nesse dia, que eu atenderei, diz o Senhor, atenderei aos céus, e os céus atenderão à terra; 24e a terra atenderá, dando trigo, vinho e azeite, conforme as preces de Jezrael. 25E eu semearei a terra para mim, e terei piedade da filha que foi "Não-Piedade"; 26direi ao "Não-Povo-meu": Tu és "Povo-meu", e ele dirá: "Tu és Meu-Deus".
Responsório
℟. Eis que as núpcias do Cordeiro redivivo se aproximam. Sua Esposa se enfeitou, se vestiu de linho puro.
* São bem-aventurados os que foram convidados para a Ceia nupcial das bodas do Cordeiro.
℣. Eu irei desposar-te na fidelidade; então saberás que sou eu o Senhor.
* São bem-aventurados.
Segunda Leitura
Do Cântico espiritual, de São João da Cruz, sacerdote
(Red. A, str. 38)
(Séc. XVI)
Desposar-te-ei para sempre
A alma, unida e transformada em Deus, respira em Deus para Deus, com profundíssima aspiração semelhante à divina que Deus, nela presente, respira em si mesmo; é este seu modelo. Tanto quanto entendo, foi isto que São Paulo quis dizer com estas palavras: Porque sois filhos, enviou Deus a vossos corações o Espírito de seu Filho que clama: Abá, Pai! (Gl 4,6). É o que se dá com os perfeitos.
Não é de admirar que a alma possa realizar coisa tão sublime. Se Deus lhe concedeu o favor da união deiforme na Santíssima Trindade, por que, pergunto, será incrível que ela possa realizar sua vida de inteligência, conhecimento e amor na Trindade, unida à própria Trindade, assemelhando-se ao máximo a ela e tendo a viver nela o próprio Deus?
Nenhuma capacidade ou sabedoria poderá expressar melhor como isto se faz do que as palavras do Filho de Deus pedindo para nós este sublime estado e lugar e prometendo que seríamos filhos de Deus. Assim rogou ao Pai: Pai, aqueles que me deste quero que onde eu estou, estejam eles comigo (Jo 17,24), realizando por participação aquilo mesmo que faço. Disse mais: Não rogo apenas por eles, mas também por aqueles que crerão em mim, através de suas palavras; para que todos sejam um como tu, Pai, em mim e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um assim como nós somos um. Eu neles e tu em mim, a fim de que sejam consumados na unidade; e o mundo conheça que me enviaste e os amaste como também me amaste a mim (Jo 17,20-23).
O Pai põe em comum com eles o mesmo amor que comunica ao Filho: não no entanto, por natureza, como ao Filho, mas pela unidade e transformação operadas pelo amor. Também não se deve entender que o Filho peça ao Pai que os santos sejam um por essência, como são um o Pai e o Filho na unidade do amor. Os santos possuem assim, por participação, os mesmos bens que eles possuem por natureza. Por isso são verdadeiramente deuses por participação, feitos à semelhança e consortes do próprio Deus.
Daí dizer Pedro: Graça e paz a vós em abundância no conhecimento de Deus e do Cristo Jesus, nosso Senhor. O poder divino nos concedeu tudo quanto se relaciona à vida e à piedade. Pelo conhecimento daquele que nos chamou por sua própria glória e virtude, por quem cumpriu para nós as maiores e mais preciosas promessas, para que por elas nos tornemos consortes da natureza divina (2Pd 1,2-4). Nesta união a alma é, pois, feita em seu agir participante da Trindade. Isto só se dará perfeitamente na vida futura; contudo já nesta vida se alcança não pequena parcela e antegozo.
Ó almas, criadas para o gozo de tão indizíveis dons, que fazeis? Para onde se voltam vossos esforços? Ó deplorável cegueira dos filhos de Adão, fecham-se os olhos à imensa luz envolvente e se tornam surdos a tão potentes palavras!
Responsório
℟. Vede, irmãos, quanto amor Deus Pai nos mostrou: * Que sejamos chamados filhos de Deus e o somos de fato.
℣. Sabemos que, quando se manifestar, nós havemos de ser semelhantes a ele. * Que sejamos.
Oração
Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
✠ Conclusão da Hora ✠
℣. Bendigamos ao Senhor.
℟. Graças a Deus.