Ofício das Leituras
Ofício das Leituras da Memória de Santo Agostinho
Sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Nasceu em Tagaste (África) no ano 354. Depois de uma juventude perturbada, quer intelectualmente quer moralmente, converteu-se à fé e foi batizado em Milão por Santo Ambrósio no ano 387. Voltou à sua terra e aí levou uma vida de grande ascetismo. Eleito bispo de Hipona, durante trinta e quatro anos foi perfeito modelo do seu rebanho e deu-lhe uma sólida formação cristã por meio de numerosos sermões e escritos, com os quais combateu fortemente os erros do seu tempo e ilustrou sabiamente a fé católica. Morreu no ano 430.
℣. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
℟. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.
Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.
Hino
Eterno Sol, que envolveis
a criação de esplendor,
a vós, Luz pura das mentes,
dos corações o louvor.
Pelo poder do Espírito,
lâmpadas vivas brilharam.
Da salvação os caminhos
a todo o mundo apontaram.
Por estes servos da graça
fulgiu com novo esplendor
o que a palavra proclama
e que a razão demonstrou.
Tem parte em suas coroas,
pela doutrina mais pura,
este varão que louvamos
e como estrela fulgura.
Por seu auxílio pedimos:
dai-nos, ó Deus, caminhar
na direção da verdade
e assim a vós alcançar.
Ouvi-nos, Pai piedoso,
e vós, ó Filho, também,
com o Espírito Santo,
Rei para sempre. Amém.
Salmodia
Ant.1 Levantai-vos, ó Senhor, vinde logo em meu socorro!
Salmo 34(35),1-2.3c.9-19.22-23.27-28
O Senhor salva nas perseguições
Reuniram-se e resolveram prender Jesus por um ardil para o matar (Mt 26,3.4).
I
–1 Acusai os que me acusam, ó Senhor, *
combatei os que combatem contra mim!
=2 Empunhai o vosso escudo e armadura; †
levantai-vos, vinde logo em meu socorro *
3c e dizei-me: “Sou a tua salvação!”
–9 Então minh'alma no Senhor se alegrará *
e exultará de alegria em seu auxílio.
–10 Direi ao meu Senhor com todo o ser: *
“Senhor, quem pode a vós se assemelhar,
– pois livrais o infeliz do prepotente *
e libertais o miserável do opressor?”
–11 Surgiram testemunhas mentirosas, *
acusando-me de coisas que não sei.
–12 Pagaram com o mal o bem que fiz, *
e a minh'alma está agora desolada!
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Levantai-vos, ó Senhor, vinde logo em meu socorro!
Ant.2 Defendei minha causa, Senhor poderoso!
II
=13 Quando eram eles que sofriam na doença, †
eu me humilhava com cilício e com jejum *
e revolvia minhas preces no meu peito;
–14 eu sofria e caminhava angustiado *
como alguém que chora a morte de sua mãe.
=15 Mas apenas tropecei, eles se riram; †
como feras se juntaram contra mim *
e me morderam, sem que eu saiba seus motivos;
–16 eles me tentam com blasfêmias e sarcasmos *
e se voltam contra mim rangendo os dentes.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Defendei minha causa, Senhor poderoso!
Ant.3 Minha língua anunciará vossa justiça eternamente.
III
=17 Até quando, ó Senhor, podeis ver isso? †
Libertai a minha alma destas feras *
e salvai a minha vida dos leões!
–18 Então, em meio à multidão, vos louvarei *
e na grande assembleia darei graças.
–19 Que não possam nunca mais rir-se de mim *
meus inimigos mentirosos e injustos!
– Nem acenem os seus olhos com maldade *
aqueles que me odeiam sem motivo!
–22 Vós bem vistes, ó Senhor, não vos caleis! *
Não fiqueis longe de mim, ó meu Senhor!
–23 Levantai-vos, acordai, fazei justiça! *
Minha causa defendei, Senhor, meu Deus!
–27 Rejubile de alegria todo aquele *
que se faz o defensor da minha causa
– e possa dizer sempre: “Deus é grande, *
ele deseja todo o bem para o seu servo!”
–28 Minha língua anunciará vossa justiça *
e cantarei vosso louvor eternamente!
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Minha língua anunciará vossa justiça eternamente.
℣. Meu filho, observa as minhas palavras.
℟. Conserva a doutrina e haverás de viver.
Primeira Leitura
Do Livro do Profeta Jeremias 4,5-8.13-28
O devastador há de vir do Norte
Assim fala o Senhor: 5 "Anunciai em Judá e fazei ouvir em Jerusalém, falai em público e tocai trombeta pelo país, gritai com força estas palavras: "Vamos juntar-nos e entrar em nossos baluartes". 6 Levantai bandeira para Sião, ponde-vos a salvo, não fiqueis parados, pois estou para trazer do Norte o mal, uma calamidade enorme. 7 Já se levantou do covil o leão, levantou-se o predador das nações; saiu de sua terra para transformar a tua terra em deserto; as cidades serão devastadas e ficarão sem habitantes. 8 Por isso, vesti sacos, chorai e gritai, pois não se afastou de nós a cólera do Senhor.
13 Eis que ele vem como uma nuvem e seus carros correm como a tempestade; seus cavalos são mais velozes que águias. Pobres de nós, estamos arrasados! 14 Lava a maldade do teu coração para salvar-te, Jerusalém; até quando abrigarás em ti pensamentos malvados? 15 Vem de Dã uma voz que anuncia e revela, desde o monte Efraim, a calamidade. 16 Anunciai aos povos. Eles acorrem ao apelo! Fazei ouvir tudo isto a Jerusalém: "Estão chegando de terras distantes tropas de vanguarda e começaram a dar ordens à cidade de Judá; 17 agem como cães de guarda ao redor dela, ela que tanto se obstinava contra mim, diz o Senhor. 18 Tua conduta e tuas obras atraíram estes males sobre ti; é este o fruto amargo de tua maldade e que se faz sentir no teu coração.
19 Ai as minhas vísceras, as minhas vísceras! De dor me contorço! E o íntimo do meu coração? Treme o coração dentro de mim: não posso calar, minh'alma ouviu a voz da trombeta e o fragor da batalha. 20 Sucede um desastre a outro desastre, toda a terra foi devastada, minhas barracas e minhas tendas foram derrubadas num momento. 21 Até quando verei ainda a nossa bandeira e ouvirei o som das trombetas? 22 "Meu povo, porque é estulto, não me conheceu; seus filhos são insensatos e maus; são espertos para fazer o mal, mas não sabem praticar o bem".
23 Olhei para a terra, achei-a vazia e deserta; para os céus, estavam sem luz. 24 Olhei para os montes, e eles se moviam e todas as colinas estremeciam. 25 Olhei, e notei que não havia seres humanos e as aves do céu tinham fugido. 26 Olhei, e vi o jardim feito deserto e todas as cidades que foram destruídas na presença do Senhor, diante de sua ira. 27 Isto diz o Senhor: "O país ficará deserto, mas não lhe darei fim. 28 A terra há de chorar esse destino e lá em cima os céus se enlutarão, porque falei, decretei e não me arrependo nem voltarei atrás".
Responsório
℟. Ante o furor de vossa ira, toda a terra se abalou.
* Mas, Senhor, tende piedade e não chegueis ao extermínio.
℣. Renovai-nos, nosso Deus e Salvador, esquecei a vossa mágoa contra nós! * Mas, Senhor.
Segunda Leitura
Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo
(Lib. 7,10.18;10,27: CSEL 33,157-163.255)
(Séc.V)
Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade!
Instigado a voltar a mim mesmo, entrei em meu íntimo, sob tua guia e o consegui, porque tu te fizeste meu auxílio (cf. Sl 29,11). Entrei e com certo olhar da alma, acima do olhar comum da alma, acima de minha mente, vi a luz imutável. Não era como a luz terrena e evidente para todo ser humano. Diria muito pouco se afirmasse que era apenas uma luz muito, muito mais brilhante do que a comum, ou tão intensa que penetrava todas as coisas. Não era assim, mas outra coisa, inteiramente diferente de tudo isto. Também não estava acima de minha mente como óleo sobre a água nem como o céu sobre a terra, mas mais alta, porque ela me fez, e eu, mais baixo, porque feito por ela. Quem conhece a verdade, conhece esta luz.
Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. Desde que te conheci, tu me elevaste para ver que quem eu via, era, e eu, que via, ainda não era. E reverberaste sobre a mesquinhez de minha pessoa, irradiando sobre mim com toda a força. E eu tremia de amor e de horror. Vi-me longe de ti, no país da dessemelhança, como que ouvindo tua voz lá do alto: “Eu sou o alimento dos grandes. Cresce e me comerás. Não me mudarás em ti como o alimento de teu corpo, mas tu te mudarás em mim”.
E eu procurava o meio de obter forças, para tornar-me idôneo a te degustar e não o encontrava até que abracei o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus (1Tm 2,5), que é Deus acima de tudo, bendito pelos séculos (Rm 9,5). Ele me chamava e dizia: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6). E o alimento que eu não era capaz de tomar se uniu à minha carne, pois o Verbo se fez carne (Jo 1,14), para dar à nossa infância o leite de tua sabedoria, pela qual tudo criaste.
Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.
Responsório
℟. Ó luz e verdade do meu coração, que as trevas em mim não gritem mais alto!
* Errei, mas voltei, lembrei-me de vós. Eis que volto à fonte, cansado e sedento.
℣. Não sou eu minha vida, pois por mim vivi mal; mas em vós eu renasço. * Errei.
Oração
Renovai, ó Deus, na vossa Igreja aquele espírito com o qual cumulastes o bispo Santo Agostinho para que, repletos do mesmo espírito, só de vós tenhamos sede, fonte da verdadeira sabedoria, e só a vós busquemos, autor do amor eterno. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
✠ Conclusão da Hora ✠
℣. Bendigamos ao Senhor.
℟. Graças a Deus.