Ofício das Leituras
Ofício das Leituras de Sexta-feira da 2ª Semana do Saltério
Sexta-feira, 4 de setembro de 2026
℣. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
℟. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.
Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.
Hino
I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:
Ao som da voz do galo,
já foge a noite escura.
Ó Deus, ó luz da aurora,
nossa alma vos procura.
Enquanto as coisas dormem,
guardai-nos vigilantes,
brilhai aos nossos olhos
qual chama cintilante.
Do sono já despertos,
por graça imerecida,
de novo contemplamos
a luz, irmã da vida.
Ao Pai e ao Filho glória,
ao seu Amor também,
Deus Trino e Uno, luz
e vida eterna. Amém.
II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:
Criador do Universo
do Pai luz e resplendor,
revelai-nos vossa face
e livrai-nos do pavor.
Pelo Espírito repletos,
templos vivos do Senhor,
não se rendam nossas almas
aos ardis do tentador,
para que, durante a vida,
nas ações de cada dia,
pratiquemos vossa lei
com amor e alegria.
Glória a Cristo, Rei clemente,
e a Deus Pai, Eterno Bem,
com o Espírito Paráclito,
pelos séculos. Amém.
Salmodia
Ant.1 Repreendei-me, Senhor, mas sem ira! †
Salmo 37(38)
Súplica de um pecador em extremo perigo
Todos os conhecidos de Jesus ficaram à distância (Lc 23,49).
I
–2 Repreendei-me, Senhor, mas sem ira; *
† corrigi-me, mas não com furor!
–3 Vossas flechas em mim penetraram; *
vossa mão se abateu sobre mim.
–4 Nada resta de são no meu corpo, *
pois com muito rigor me tratastes!
– Não há parte sadia em meus ossos, *
pois pequei contra vós, ó Senhor!
–5 Meus pecados me afogam e esmagam, *
como um fardo pesado me oprimem.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant.1 Repreendei-me, Senhor, mas sem ira! †
Ant.2 Conheceis meu desejo, Senhor.
II
–6 Cheiram mal e supuram minhas chagas *
por motivo de minhas loucuras.
–7 Ando triste, abatido, encurvado, *
todo o dia afogado em tristeza.
–8 As entranhas me ardem de febre, *
já não há parte sã no meu corpo.
–9 Meu coração grita e geme de dor, *
esmagado e humilhado demais.
–10 Conheceis meu desejo, Senhor, *
meus gemidos vos são manifestos;
=11 bate rápido o meu coração, †
minhas forças estão me deixando, *
e sem luz os meus olhos se apagam.
=12 Companheiros e amigos se afastam, †
fogem longe das minhas feridas; *
meus parentes mantêm-se à distância.
–13 Armam laços os meus inimigos, *
que procuram tirar minha vida;
– os que buscam matar-me ameaçam *
e maquinam traições todo o dia.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Conheceis meu desejo, Senhor.
Ant.3 Confesso, Senhor, minha culpa:
salvai-me, e jamais me deixeis!
III
–14 Eu me faço de surdo e não ouço, *
eu me faço de mudo e não falo;
–15 semelhante a alguém que não ouve *
e não tem a resposta em sua boca.
–16 Mas, em vós, ó Senhor, eu confio, *
e ouvireis meu lamento, ó meu Deus!
–17 Pois rezei: “Que não zombem de mim, *
nem se riam, se os pés me vacilam!”
–18 Ó Senhor, estou quase caindo, *
minha dor não me larga um momento!
–19 Sim, confesso, Senhor, minha culpa: *
meu pecado me aflige e atormenta.
=20 São bem fortes os meus adversários †
que me vêm atacar sem razão; *
quantos há que sem causa me odeiam!
–21 Eles pagam o bem com o mal, *
porque busco o bem, me perseguem.
–22 Não deixeis vosso servo sozinho, *
ó meu Deus, ficai perto de mim!
–23 Vinde logo trazer-me socorro, *
porque sois para mim Salvação!
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Confesso, Senhor, minha culpa:
salvai-me, e jamais me deixeis!
℣. Os meus olhos se gastaram de esperar-vos
℟. E de aguardar vossa justiça e salvação.
Primeira Leitura
Do Livro do Profeta Jeremias 30,18–31,9
Promessas de restauração de Israel
30,18 Isto diz o Senhor: Eis que eu mudarei a sorte das tendas de Jacó e terei compaixão de suas moradias, a cidade ressurgirá das suas ruínas e a fortaleza terá lugar para suas fundações; 19 de lá sairão cânticos de louvor e sons festivos. Hei de multiplicá-los, eles não diminuirão, hei de glorificá-los, eles não serão humilhados. 20 Teus filhos serão felizes como outrora, e sua comunidade, estável na minha presença; e agirei contra todos os que os molestarem. 21 Para chefe será escolhido um dos seus, e o soberano sairá do seu meio; eu o incitarei, e ele se aproximará de mim. Quem dará a vida em penhor da sua aproximação de mim? – diz o Senhor. 22 Sereis meu povo e eu serei vosso Deus. 23 Eis o vento do Senhor, força que explode, tempestade que tomba; termina sobre a cabeça dos ímpios. 24 Não recuará o Senhor de sua irada indignação, enquanto não fizer realizar seus profundos pensamentos; entenderás estas coisas nos últimos tempos.
31,1 Naquele tempo, diz o Senhor, serei Deus para todas as tribos de Israel, e elas serão meu povo. 2 Isto diz o Senhor: "Encontrou perdão no deserto o povo que escapara à espada; Israel encaminha-se para o seu descanso. 3 O Senhor apareceu-me de longe: "Amei-te com amor eterno e te atraí com a misericórdia. 4 De novo te edificarei, serás reedificada, ó jovem nação de Israel; de novo teus tambores ornarão as praças e sairás entre grupos de dançantes. 5 Hás de plantar vinhas nos montes de Samaria; os cultivadores hão de plantar e também colher. 6 Virá o dia em que gritarão os guardas no monte Efraim: "Levantai-vos, vamos a Sião, vamos ao Senhor, nosso Deus". 7 Isto diz o Senhor: Exultai de alegria por Jacó, aclamai a primeira das nações; tocai, cantai e dizei: "Salva, Senhor, teu povo, o resto de Israel". 8 Eis que eu os trarei do país do Norte e os reunirei desde as extremidades da terra; entre eles há cegos e aleijados, mulheres grávidas e parturientes: são uma grande multidão os que retornam. 9 Eles chegarão entre lágrimas e eu os receberei entre preces; eu os conduzirei por torrentes d'água, por um caminho reto onde não tropeçarão, pois tornei-me um pai para Israel, e Efraim é o meu primogênito.
Responsório
℟. O dia chegará em que os guardas clamarão:
* Levantai-vos, levantai-vos e subamos a Sião, ao Senhor e nosso Deus!
℣. Vinde, ó casa de Jacó, caminhemos sob a luz do Senhor e nosso Deus. * Levantai-vos.
Segunda Leitura
Do Sermão sobre as Bem-aventuranças, de São Leão Magno, papa
(Sermo 95,2-3: PL 54,462)
(Séc. V)
Bem-aventurados os pobres de espírito
Não há dúvida de que os pobres alcançam mais facilmente que os ricos o bem da humildade; estes, nas riquezas, a conhecida altivez. Contudo em muitos ricos encontra-se a disposição de empregar sua abundância não para se inchar de soberba, mas para realizar obras de benignidade; e assim eles têm por máximo lucro tudo quanto gastam em aliviar a miséria do trabalho dos outros.
A todo gênero e classe de pessoas é dado ter parte nesta virtude, porque podem ser iguais na intenção e desiguais no lucro; e não importa quanto sejam diferentes nos bens terrenos, se são idênticos nos bens espirituais. Feliz então a pobreza que não se prende ao amor das coisas transitórias, nem deseja o crescimento das riquezas do mundo, mas anseia por enriquecer-se com os tesouros celestes.
Exemplo de fidalga pobreza foi-nos dado primeiro, depois do Senhor, pelos apóstolos que, abandonando igualmente todas as posses à voz do Mestre celeste, se transformaram, por célebre conversão, de pescadores de peixes em pescadores de homens (cf. Mt 4,19). Eles tornaram a muitos outros semelhantes a si, à imitação de sua fé, quando nos filhos da Igreja primitiva era um só o coração de todos e uma só a alma dos que criam (cf. At 4,32). Desapegados de todas as coisas e de suas posses, pela pobreza sagrada enriqueciam-se com os tesouros eternos. Segundo a pregação apostólica, alegravam-se por nada ter do mundo e tudo possuir com Cristo.
O santo apóstolo Pedro, subindo ao templo, respondeu ao entrevado que lhe pedia esmola: Prata e ouro não possuo; mas o que tenho te dou: Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda (At 3,6). Que de mais sublime do que esta humildade? E mais rico do que esta pobreza? Não tem os auxílios do dinheiro, mas tem os dons do espírito. Saíra ele paralítico do seio de sua mãe; com a palavra Pedro o curou. Quem não deu a efígie de César na moeda, reformou no homem a imagem de Cristo.
Com este rico tesouro não foi socorrido só aquele que recuperou o andar, mas ainda as cinco mil pessoas que naquele momento creram na exortação do Apóstolo por causa do milagre da cura (cf. At 4,4). E o pobre que não tinha para dar a um mendigo, distribuiu com tanta largueza a graça divina! Da mesma forma como estabeleceu a um só homem em seus pés, assim curou a tantos milhares de fiéis em seus corações e tornou saltitantes em Cristo aqueles que encontrara entrevados.
Responsório
℟. Os discípulos se achegaram a Jesus; ele, então, pôs-se a falar e os ensinava:
* Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos céus.
℣. O pobre é que atrai os meus olhares, o aflito e o de espírito abatido, quem perante minha palavra estremece. * Felizes.
Oração
Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
✠ Conclusão da Hora ✠
℣. Bendigamos ao Senhor.
℟. Graças a Deus.