Ofício das Leituras
Ofício das Leituras de Quinta-feira da 3ª Semana do Saltério
Quinta-feira, 10 de setembro de 2026
℣. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
℟. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.
Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.
Hino
I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:
A noite escura apaga
da treva toda a cor.
Juiz dos corações,
a vós nosso louvor.
E para que das culpas
lavemos nossa mente,
ó Cristo, dai a graça
que os crimes afugente.
A nós, que vos buscamos,
tirai do mal escuro.
Já dorme a mente ímpia
que o fruto morde impuro.
As trevas expulsai
do nosso interior.
Felizes exultemos
à luz do vosso amor.
A vós, ó Cristo, a glória
e a vós, ó Pai, também,
com vosso Santo Espírito
agora e sempre. Amém.
II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:
Cristo, aos servos suplicantes
voltai hoje vosso olhar.
Entre as trevas deste mundo
nossa fé fazei brilhar.
Não pensemos em maldades,
não lesemos a ninguém,
nem o mal retribuamos,
mas paguemos mal com bem.
Iras, fraudes, nem soberba
haja em nossos corações.
Defendei-nos da avareza,
que é raiz de divisões.
Guarde todos nós na paz
a sincera caridade.
Seja casta a nossa vida,
em total fidelidade.
A vós, Cristo, Rei clemente,
e a Deus Pai, Eterno Bem,
com o vosso Santo Espírito,
honra e glória sempre. Amém.
Salmodia
Ant.1 Olhai e vede, ó Senhor, a humilhação do vosso povo!
Salmo 88(89),39-53
Lamentação sobre a ruína da casa de Davi
Fez aparecer para nós uma força de salvação na casa de Davi (Lc 1,69).
IV
–39 E no entanto vós, Senhor, repudiastes vosso Ungido, *
gravemente vos irastes contra ele e o rejeitastes!
–40 Desprezastes a Aliança com o vosso servidor, *
profanastes sua coroa, atirando-a pelo chão!
–41 Derrubastes, destruístes os seus muros totalmente, *
e as suas fortalezas reduzistes a ruínas.
–42 Os que passam no caminho sem piedade o saquearam *
e tornou-se uma vergonha para os povos, seus vizinhos.
–43 Aumentastes o poder da mão direita do agressor, *
e exultaram de alegria os inimigos e opressores.
–44 Vós fizestes sua espada ficar cega, sem ter corte, *
não quisestes sustentá-lo quando estava no combate.
–45 O seu cetro glorioso arrancastes de sua mão, *
derrubastes pelo chão o seu trono esplendoroso,
–46 e de sua juventude a duração abreviastes, *
recobrindo sua pessoa de vergonha e confusão.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Olhai e vede, ó Senhor, a humilhação do vosso povo!
Ant.2 Sou o rebento da estirpe de Davi,
sou a estrela fulgurante da manhã.
V
–47 Até quando, Senhor Deus, ficareis sempre escondido? *
Arderá a vossa ira como fogo eternamente?
–48 Recordai-vos, ó Senhor, de como é breve a minha vida, *
e de como é perecível todo homem que criastes!
–49 Quem acaso viverá sem provar jamais a morte, *
e quem pode arrebatar a sua vida dos abismos?
–50 Onde está, ó Senhor Deus, vosso amor de antigamente? *
Não jurastes a Davi fidelidade para sempre?
–51 Recordai-vos, ó Senhor, da humilhação dos vossos servos, *
pois carrego no meu peito os ultrajes das nações;
–52 com os quais sou insultado pelos vossos inimigos, *
com os quais eles ultrajam vosso Ungido a cada passo!
–53 O Senhor seja bendito desde agora e para sempre! *
Bendito seja o Senhor Deus, eternamente! Amém, amém!
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Sou o rebento da estirpe de Davi,
sou a estrela fulgurante da manhã.
Ant.3 Os nossos dias vão murchando como a erva;
vós, Senhor, sois desde sempre e para sempre.
Salmo 89(90)
O esplendor do Senhor esteja sobre nós
Para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos como um dia (2Pd 3,8).
–1 Vós fostes um refúgio para nós, *
ó Senhor, de geração em geração.
=2 Já bem antes que as montanhas fossem feitas †
ou a terra e o mundo se formassem, *
desde sempre e para sempre vós sois Deus.
–3 Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, *
quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!”
–4 Pois mil anos para vós são como ontem, *
qual vigília de uma noite que passou.
–5 Eles passam como o sono da manhã, *
6 são iguais à erva verde pelos campos:
– De manhã ela floresce vicejante, *
mas à tarde é cortada e logo seca.
–7 Por vossa ira perecemos realmente, *
vosso furor nos apavora e faz tremer;
–8 pusestes nossa culpa à nossa frente, *
nossos segredos ao clarão de vossa face.
–9 Em vossa ira se consomem nossos dias, *
como um sopro se acabam nossos anos.
–10 Pode durar setenta anos nossa vida, *
os mais fortes talvez cheguem a oitenta;
– a maior parte é ilusão e sofrimento: *
passam depressa e também nós assim passamos.
–11 Quem avalia o poder de vossa ira, *
o respeito e o temor que mereceis?
–12 Ensinai-nos a contar os nossos dias, *
e dai ao nosso coração sabedoria!
–13 Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? *
Tende piedade e compaixão de vossos servos!
–14 Saciai-nos de manhã com vosso amor, *
e exultaremos de alegria todo o dia!
–15 Alegrai-nos pelos dias que sofremos, *
pelos anos que passamos na desgraça!
–16 Manifestai a vossa obra a vossos servos, *
e a seus filhos revelai a vossa glória!
–17 Que a bondade do Senhor e nosso Deus *
repouse sobre nós e nos conduza!
– Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho, *
fazei dar frutos o labor de nossas mãos!
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Os nossos dias vão murchando como a erva;
vós, Senhor, sois desde sempre e para sempre.
℣. Em vós está a fonte da vida,
℟. E em vossa luz contemplamos a luz.
Primeira Leitura
Início do Livro das Lamentações 1,1-12.18-20
Desolação de Jerusalém
1Como ficou deserta uma cidade tão populosa! Está como viúva a senhora das nações; a princesa das províncias tem de sujeitar-se ao tributo. 2À noite geme e chora e as lágrimas lhe descem pelo rosto; não há quem a console dentre os entes queridos: todos os amigos a desprezaram e se tornaram seus inimigos. 3Judá teve de emigrar, por causa de tantos sofrimentos na servidão; vive entre nações, mas não encontra paz: todos os seus perseguidores lhe causam aflições. 4Choram os caminhos de Sião, porque não há quem venha às suas festas; destruídas estão suas portas, os sacerdotes soluçam, as moças estão tristes, e ela, coberta de amargura. 5Seus inimigos tornaram-se senhores, seus adversários vivem tranquilos, porque o Senhor a puniu, em razão de seus muitos crimes; as crianças, feitas escravas, são conduzidas diante do perseguidor. 6Desapareceu da cidade de Sião toda a sua beleza; seus príncipes, como cervos à míngua de pastagens, fugiram sem forças diante do caçador. 7Em dias de aflição e vida errante, Jerusalém lembra todas aquelas delícias que teve em tempos passados; depois o povo caiu nas mãos do inimigo, sem que ninguém o socorresse; os inimigos olham para ela e riem-se do seu desastre. 8Jerusalém cometeu um pecado, por isso tornou-se repugnante; todos os que a glorificavam hoje a desprezam, sabendo de sua infâmia, enquanto ela geme, voltando-se para trás. 9A marca do luto está na orla do vestido, ela não podia prever este fim; ficou grandemente abatida e não teve um arrimo consolador. "Vê, Senhor, a minha angústia e o tripúdio do inimigo!" 10O inimigo apropriou-se de tudo que ela possuía de precioso, ela viu estrangeiros entrarem no santuário, os que tu havias proibido de entrar em tua assembleia. 11Geme todo o povo da cidade à procura de pão; por alimento dão joias e tudo para se manterem vivos. "Vê, Senhor, olha como estou acabrunhada!" 12Ó vós todos que passais pelo caminho, parai um instante e vede se há dor igual à minha dor, que o Senhor me reservou e com que me aflige no dia de sua indignação.
18O Senhor é justo, eu é que me rebelei contra a sua palavra. Ouvi, povos todos, eu vos peço, e vede a minha dor: minhas filhas e meus filhos foram levados em cativeiro. 19Chamei os meus amigos e eles decepcionaram-me; os sacerdotes e os anciãos desfaleceram na cidade, ao procurar um pouco de alimento para matar a fome. 20Vê, Senhor, como estou sofrendo; fervem minhas entranhas, o meu coração sofre convulsões, sinto que fui muito rebelde; perdi filhos em guerras externas, e aqui dentro campeia a morte".
Responsório
℟. Escureceram-se meus olhos pelo pranto, pois quem me consolava se afastou. Olhai, todos os povos, e observai,
* Se há dor semelhante à minha dor.
℣. Ó vós todos, que passais pelo caminho, olhai com atenção e contemplai. * Se há dor.
Segunda Leitura
Do Comentário sobre os Salmos, de São Bruno, presbítero
(Ps 83: edit. Cartusiae de Pratis, 1891,376-377)
(Séc. XI)
Se me esquecer de ti, Jerusalém
Quão diletos são teus tabernáculos! Minha alma anseia por chegar aos átrios do Senhor (Sl 83,2 Vulg.), à amplidão da celeste Jerusalém, à cidade do Senhor.
Mostra o salmista por que tanto aspira pelos átrios do Senhor. É por isto, ó Senhor, que és Deus dos exércitos celestes, meu rei e meu Deus, é porque felizes são os que habitam em tua casa (Sl 83,5), na Jerusalém celeste. Como se dissesse: Quem não desejaria com ardor chegar a teus átrios, se és Deus, o Criador, Senhor dos exércitos e rei, e se todos são felizes, os que habitam em tua casa? Átrios e casa têm aqui o mesmo sentido. Por dizer felizes, indica que terão tanta beatitude quanto se possa imaginar. E vê-se também serem felizes porque te louvarão por um amor de entrega pelos séculos dos séculos (cf. Sl 83,5), isto é, eternamente. Pois não louvariam eternamente a não ser que eternamente fossem felizes.
Ninguém por suas forças pode alcançar esta beatitude, mesmo que tenha fé, esperança e amor. Mas feliz é aquele homem, quer dizer, unicamente chega a esta felicidade aquele cujo auxílio vem de ti (Sl 83,6) para as ascensões da beatitude propostas em seu coração. Vale dizer: Só se pode afirmar que chegará à beatitude quem, tendo preparado o coração para elevar-se a esta felicidade por muitas ascensões de virtudes e de boas obras, recebe auxílio de tua graça.
Por si mesmo ninguém se eleva. O Senhor mesmo o atesta: Ninguém subiu ao céu, por si mesmo, a não ser o Filho do homem que está no céu (Jo 3,13).
Digo que preparou ascensões por estar no vale de lágrimas (Sl 83,6.7 Vulg.), nesta vida, humilde e cheia de lágrimas das tribulações, em comparação com a outra vida, chamada monte e repleta de alegrias.
Por ter dito feliz o homem cujo auxílio vem de ti, poderá alguém perguntar: Acaso Deus auxiliará para isto? A resposta será: Verdadeiramente o auxílio para os felizes vem de Deus. Porque o legislador, Cristo, que nos deu a lei, dá e dará continuamente as bênçãos, os múltiplos dons da graça com que abençoa os seus, quer dizer, erguerá até à beatitude. Por estas bênçãos irão de virtude em virtude, subindo sempre. E no futuro, na Sião celeste, ver-se-á Cristo. Deus dos deuses, aquele que, por ser Deus, deifica os seus. Ou, sendo eles Sião, ali se verá espiritualmente o Deus dos deuses, o Deus Trindade. É o mesmo que dizer: Pela inteligência verão em si a Deus que aqui não pode ser visto, porque Deus será tudo em todos (cf. 1Cor 15,28).
Responsório
℟. Irmãos, desde já somos filhos de Deus e ainda não se mostrou o que havemos de ser.
* Sabemos que, quando se manifestar Jesus, o Senhor, nós havemos de ser semelhantes a ele, porque o veremos tal qual ele é.
℣. Todo aquele que vive com esta esperança, fica purificado, como ele é puro. * Sabemos.
Oração
Ó Deus eterno e todo-poderoso, que nos concedeis no vosso imenso amor de Pai mais do que merecemos e pedimos, derramai sobre nós a vossa misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
✠ Conclusão da Hora ✠
℣. Bendigamos ao Senhor.
℟. Graças a Deus.