Ofício das Leituras, Ofício das Leituras de Sexta-feira da 3ª Semana do Saltério

Ofício das Leituras

Ofício das Leituras de Sexta-feira da 3ª Semana do Saltério

Sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Tempo Comum Verde 3ª semana do Saltério
100%

℣. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
℟. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

Hino

I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:
Reinais no mundo inteiro,
Jesus, ó sol divino;
deixamos nossos leitos,
cantando este hino.

Da noite na quietude,
do sono levantamos:
mostrando as nossas chagas,
remédio suplicamos.

Oh! quanto mal fizemos,
por Lúcifer levados:
que a glória da manhã
apague esses pecados!

E assim o vosso povo,
por vós iluminado,
jamais venha a tombar
nos laços do Malvado.

A glória seja ao Pai,
ao Filho seu também;
ao Espírito igualmente,
agora e sempre. Amém.

II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:
Cristo, em nossos corações
infundi a caridade.
Nossos olhos chorem lágrimas
de ternura e piedade.

Para vós, Jesus piedoso,
nossa ardente prece erguemos.
Perdoai-nos, compassivo,
todo o mal que cometemos.

Pelo vosso santo corpo,
pela cruz, vosso sinal,
vosso povo, em toda parte,
defendei de todo o mal.

A vós, Cristo, Rei clemente,
e a Deus Pai, eterno Bem,
com o vosso Santo Espírito
honra e glória sempre. Amém.

Salmodia

Ant.1 Estou cansado de gritar e de esperar pelo meu Deus.

Salmo 68(69),2-22.30-37

O zelo pela vossa casa me devora
Deram vinho misturado com fel para Jesus beber (Mt 27,34).

I

–2 Salvai-me, ó meu Deus, porque as águas *
até o meu pescoço já chegaram!
–3 Na lama do abismo eu me afundo *
e não encontro um apoio para os pés.
– Nestas águas muito fundas vim cair, *
e as ondas já começam a cobrir-me!

–4 À força de gritar, estou cansado; *
minha garganta já ficou enrouquecida.
– Os meus olhos já perderam sua luz, *
de tanto esperar pelo meu Deus!

–5 Mais numerosos que os cabelos da cabeça, *
são aqueles que me odeiam sem motivo;
– meus inimigos são mais fortes do que eu; *
contra mim eles se voltam com mentiras!
– Por acaso poderei restituir *
alguma coisa que de outros não roubei?
–6 Ó Senhor, vós conheceis minhas loucuras, *
e minha falta não se esconde a vossos olhos.

–7 Por minha causa não deixeis desiludidos *
os que esperam sempre em vós, Deus do universo!
– Que eu não seja a decepção e a vergonha *
dos que vos buscam, Senhor Deus de Israel!

–8 Por vossa causa é que sofri tantos insultos, *
e o meu rosto se cobriu de confusão;
–9 eu me tornei como um estranho a meus irmãos, *
como estrangeiro para os filhos de minha mãe.

–10 Pois meu zelo e meu amor por vossa casa *
me devoram como fogo abrasador;
– e os insultos de infiéis que vos ultrajam *
recaíram todos eles sobre mim!

–11 Se aflijo a minha alma com jejuns, *
fazem disso uma razão para insultar-me;
–12 se me visto com sinais de penitência, *
eles fazem zombaria e me escarnecem!
–13 Falam de mim os que se assentam junto às portas, *
sou motivo de canções, até de bêbados!

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Estou cansado de gritar e de esperar pelo meu Deus.

Ant.2 Deram-me fel como se fosse um alimento,
em minha sede ofereceram-me vinagre.

II

–14 Por isso elevo para vós minha oração, *
neste tempo favorável, Senhor Deus!
– Respondei-me pelo vosso imenso amor, *
pela vossa salvação que nunca falha!

=15 Retirai-me deste lodo, pois me afundo! †
Libertai-me, ó Senhor, dos que me odeiam, *
e salvai-me destas águas tão profundas!
=16 Que as águas turbulentas não me arrastem, †
não me devorem violentos turbilhões, *
nem a cova feche a boca sobre mim!

–17 Senhor, ouvi-me pois suave é vossa graça, *
ponde os olhos sobre mim com grande amor!
–18 Não oculteis a vossa face ao vosso servo! *
Como eu sofro! Respondei-me bem depressa!
–19 Aproximai-vos de minh’alma e libertai-me, *
apesar da multidão dos inimigos!

=20 Vós conheceis minha vergonha e meu opróbrio, †
minhas injúrias, minha grande humilhação; *
os que me afligem estão todos ante vós!
–21 O insulto me partiu o coração; *
não suportei, desfaleci de tanta dor!

= Eu esperei que alguém de mim tivesse pena, †
mas foi em vão, pois a ninguém pude encontrar; *
procurei quem me aliviasse e não achei!
–22 Deram-me fel como se fosse um alimento, *
em minha sede ofereceram-me vinagre!

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Deram-me fel como se fosse um alimento,
em minha sede ofereceram-me vinagre.

Ant.3 Procurai o Senhor continuamente,
e o vosso coração reviverá.

III

–30 Pobre de mim, sou infeliz e sofredor! *
Que vosso auxílio me levante, Senhor Deus!
–31 Cantando eu louvarei o vosso nome *
e agradecido exultarei de alegria!
–32 Isto será mais agradável ao Senhor, *
que o sacrifício de novilhos e de touros.

=33 Humildes, vede isto e alegrai-vos: †
o vosso coração reviverá, *
se procurardes o Senhor continuamente!

–34 Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres, *
e não despreza o clamor de seus cativos.
–35 Que céus e terra glorifiquem o Senhor *
com o mar e todo ser que neles vive!

=36 Sim, Deus virá e salvará Jerusalém,
reconstruindo as cidades de Judá, *
onde os pobres morarão, sendo seus donos.
=37 A descendência de seus servos há de herdá-las, †
e os que amam o santo nome do Senhor *
dentro delas fixarão sua morada!

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Procurai o Senhor continuamente,
e o vosso coração reviverá.

℣. O Senhor há de ensinar-nos seus caminhos.
℟. E trilharemos, todos nós, suas veredas.

Primeira Leitura

Do Livro das Lamentações 3,1-33

Lamentação e esperança

1Sou um homem que vejo a minha miséria, como punição da ira de Deus. 2Ele me levou a caminhar nas trevas, e não na luz. 3Somente contra mim não cessa de levantar a mão o dia inteiro. 4Destruiu minha pele e minha carne, quebrou os meus ossos. 5Ocupou minha vizinhança e rodeou-me de fel e de aflição. 6Fez-me habitar na escuridão, como fez aos que estão mortos para sempre. 7Cercou-me de muros para eu não escapar, reforçou minhas algemas. 8Mesmo que eu clame e rogue, ele rejeita minha oração. 9Fechou meu caminho com pedras, obstruiu minha passagem. 10Tornou-se para mim um urso de tocaia, um leão escondido. 11Obstruiu, sim, meu caminho e me abateu, deixou-me arrasado. 12Retesou o arco e me pôs como alvo de suas flechas. 13Cravou-me nos rins as flechas de sua aljava. 14Tornei-me o gracejo de todo o povo, sua cantiga de todo dia. 15Encheu-me de amargura, embriagou-me com absinto. 16Quebrou-me os dentes com cascalho, cobriu-me de cinza. 17Minha vida distanciou-se da paz, estou esquecido de seus bens. 18Disse para mim mesmo: "Acabou-se o meu vigor, minha esperança ausentou-se do Senhor". 19Lembra-te de minha miséria e de meus extravios, amargos como fel e absinto. 20Remorde-me a memória, vai-se consumindo a minh'alma. 21Revolverei essas coisas no espírito, por isso continuo esperando. 22É pela bondade do Senhor que não fomos destruídos, não se esgotou a sua misericórdia; 23cada manhã ela se renova; grande é tua fidelidade, Senhor. 24Diz minh'alma: "O Senhor é minha herança, por isso, espero por ele". 25O Senhor é bondoso para quem nele confia, para a alma que o procura. 26É bom aguardar em silêncio a salvação que vem de Deus. 27É bom para o homem sofrer o jugo na sua mocidade. 28Quando isto lhe é imposto, queda-se em solidão e em silêncio. 29Deita-se com o rosto no chão, implorando a esperança. 30Oferece o rosto a quem o espanca, sacia-se de opróbrios. 31É certo que o Senhor a ninguém repele para sempre. 32Se ele aflige, também se compadece com infinitos gestos de misericórdia. 33Humilhar e afligir os homens não procede do seu coração.

Responsório

℟. Os que são meus inimigos me prenderam sem motivo; e eu disse a mim mesmo: Estou perdido, ó Senhor! Mas ouvistes minha voz * E dissestes: Não receies! Defendestes minha causa, Redentor da minha vida.

℣. Estou pronto não apenas para ser encarcerado, mas também para morrer pelo nome de Jesus. * E dissestes.

Segunda Leitura

Dos Sermões do Bem-aventurado Isaac, Abade do Mosteiro de Stella
(Sermo 11: PL 194,1728-1729)
(Séc. XII)

Cristo não quer perdoar nada sem a Igreja

Duas são as coisas que só a Deus convêm: a honra do louvor e o poder de perdoar. O louvor somos nós que lhe damos; o perdão, dele nós esperamos. Pertence somente a Deus perdoar os pecados; por isso deve ser louvado. Mas, tendo desposado o onipotente a fraqueza, o excelso, a humildade, da escrava fez uma rainha; aquela que estava atrás, a seus pés, colocou-a a seu lado. Pois de seu lado saiu, de onde a tomou para si como penhor. Tudo quanto é do Pai é do Filho, e o que é do Filho é do Pai, por serem um só por natureza. De modo semelhante, tudo quanto era seu deu o esposo à esposa, e tudo da esposa o esposo tomou para si; e dela, unida a si, e do Pai fez também um só. Quero, disse o Filho ao Pai, intercedendo pela esposa, que, assim como eu e tu somos um, também estes sejam um conosco (cf. Jo 17,21).

Por conseguinte, o esposo com o Pai são um só, com a esposa é um. Rejeitou quanto de contrário encontrou na esposa, pregando-o na cruz, e aí carregou seus pecados no madeiro e pelo madeiro o destruiu. O que era conforme à natureza e próprio dela, assumiu, e dele se revestiu. O que lhe era próprio e divino, isto lhe concedeu. Expeliu o diabólico, assumiu o humano, concedeu o divino, para que tudo o que era da esposa fosse do esposo. É a razão por que aquele, que não cometeu pecado nem se encontrou engano em sua boca, pode dizer: Tem piedade de mim, Senhor, porque estou enfermo (Sl 6,3). E quem tem a enfermidade da esposa, tenha também o pranto, e seja tudo do esposo e da esposa. Donde, a honra do louvor e o poder do perdão; por isto devia dizer: Vai, mostra-te ao sacerdote (Mt 8,4).

Portanto, sem Cristo nada pode a Igreja perdoar; nada quer Cristo perdoar sem a Igreja. A Igreja não pode perdoar a não ser ao penitente, isto é, àquele a quem Cristo tocou. Cristo não quer ter por perdoado aquele que despreza a Igreja. O que Deus uniu, o homem não separe. Digo eu, é grande este sacramento no Cristo e na Igreja (Mt 19,6; Ef 5,32).

Não queiras, pois tirar do corpo a cabeça, de forma que em parte alguma haja o Cristo total: nem em parte alguma, o Cristo total sem a Igreja nem a Igreja toda sem Cristo em parte alguma. Pois Cristo completo e íntegro, entende-se cabeça e corpo, por isto diz: Ninguém subiu ao céu a não ser o Filho do homem que está no céu (Jo 3,13). É este o único homem que perdoa os pecados.

Responsório

℟. Eu te peço por aqueles, que por eles hão de crer, para que todos sejam um, como tu estás em mim e eu estou em ti. * Para que eles sejam um como nós o somos, Pai.

℣. Como ao mundo me enviaste, também eu os enviei. * Para que eles.

Oração

Ó Deus eterno e todo-poderoso, que nos concedeis no vosso imenso amor de Pai mais do que merecemos e pedimos, derramai sobre nós a vossa misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

✠ Conclusão da Hora ✠

℣. Bendigamos ao Senhor.
℟. Graças a Deus.