Ofício das Leituras
Ofício das Leituras de Sábado da 3ª Semana do Saltério
Sábado, 12 de setembro de 2026
℣. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
℟. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.
Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.
Hino
I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:
Um Deus em três pessoas,
o mundo governais:
dos homens que criastes
as faltas perdoais.
Ouvi, pois, nosso canto
e o pranto que vertemos:
de coração sem mancha,
melhor vos contemplemos.
Por vosso amor tenhamos
a alma iluminada,
e alegres aguardemos,
Senhor, vossa chegada.
Rompendo agora a noite,
do sono despertados,
com os bens da pátria eterna
sejamos cumulados!
A glória seja ao Pai,
ao Filho seu também;
ao Espírito igualmente,
agora e sempre. Amém.
II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:
Autor da glória eterna,
que ao povo santo dais
a graça septiforme
do Espírito, escutai:
Tirai ao corpo e à mente
do mal as opressões;
cortai os maus instintos,
curai os corações.
Tornai as mentes calmas,
as obras completai,
ouvi do orante as preces,
a vida eterna dai.
Do tempo, em sete dias,
o curso conduzis.
No dia oitavo e último
vireis como juiz.
E nele, ó Redentor,
da ira nos poupai,
tirai-nos da esquerda,
à destra nos guardai.
Ouvi a prece humilde
do povo reverente,
e a vós daremos glória,
Deus Trino, eternamente.
Salmodia
Ant.1 Agradeçamos ao Senhor o seu amor
e as suas maravilhas entre os homens.
Salmo 106(107)
Ação de graças pela libertação
Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a boa-nova da paz, por meio de Jesus Cristo (At 10,36).
I
–1 Dai graças ao Senhor, porque ele é bom, *
porque eterna é a sua misericórdia!
–2 Que o digam os libertos do Senhor, *
que da mão dos opressores os salvou
–3 e de todas as nações os reuniu, *
do Oriente, Ocidente, Norte e Sul.
–4 Uns vagavam, no deserto, extraviados, *
sem acharem o caminho da cidade.
–5 Sofriam fome e também sofriam sede, *
e sua vida ia aos poucos definhando.
–6 Mas gritaram ao Senhor na aflição, *
e ele os libertou daquela angústia.
–7 Pelo caminho bem seguro os conduziu *
para chegarem à cidade onde morar.
–8 Agradeçam ao Senhor o seu amor *
e as suas maravilhas entre os homens!
–9 Deu de beber aos que sofriam tanta sede *
e os famintos saciou com muitos bens!
–10 Alguns jaziam em meio a trevas pavorosas, *
prisioneiros da miséria e das correntes,
–11 por se terem revoltado contra Deus *
e desprezado os conselhos do Altíssimo.
–12 Ele quebrou seus corações com o sofrimento; *
eles tombaram, e ninguém veio ajudá-los!
–13 Mas gritaram ao Senhor na aflição, *
e ele os libertou daquela angústia.
–14 E os retirou daquelas trevas pavorosas, *
despedaçou suas correntes, seus grilhões.
–15 Agradeçam ao Senhor por seu amor *
e por suas maravilhas entre os homens!
–16 Porque ele arrombou portas de bronze *
e quebrou trancas de ferro das prisões!
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Agradeçamos ao Senhor o seu amor
e as suas maravilhas entre os homens.
Ant.2 Nós vimos seus prodígios e suas maravilhas.
II
–17 Uns deliravam no caminho do pecado, *
sofrendo a consequência de seus crimes;
–18 todo alimento era por eles rejeitado, *
e da morte junto às portas se encontravam.
–19 Mas gritaram ao Senhor na aflição, *
e ele os libertou daquela angústia.
–20 Enviou sua palavra e os curou, *
e arrancou as suas vidas do sepulcro.
–21 Agradeçam ao Senhor o seu amor *
e as suas maravilhas entre os homens!
–22 Ofereçam sacrifícios de louvor, *
e proclamem na alegria suas obras!
–23 Os que sulcam o alto-mar com seus navios, *
para ir comerciar nas grandes águas,
–24 testemunharam os prodígios do Senhor *
e as suas maravilhas no alto-mar.
–25 Ele ordenou, e levantou-se o furacão, *
arremessando grandes ondas para o alto;
–26 aos céus subiam e desciam aos abismos, *
seus corações desfaleciam de pavor.
–27 Cambaleavam e caíam como bêbados, *
e toda a sua perícia deu em nada.
–28 Mas gritaram ao Senhor na aflição, *
e ele os libertou daquela angústia.
–29 Transformou a tempestade em bonança, *
e as ondas do oceano se calaram.
–30 Alegraram-se ao ver o mar tranquilo, *
e ao porto desejado os conduziu.
–31 Agradeçam ao Senhor o seu amor *
e as suas maravilhas entre os homens!
–32 Na assembleia do seu povo o engrandeçam *
e o louvem no conselho de anciãos!
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Nós vimos seus prodígios e suas maravilhas.
Ant.3 Que os justos, vendo as obras do Senhor,
compreendam como é grande o seu amor!
III
–33 Ele mudou águas correntes em deserto, *
e fontes de água borbulhante em terra seca;
–34 transformou as terras férteis em salinas, *
pela malícia dos que nelas habitavam.
–35 Converteu em grandes lagos os desertos *
e a terra árida em fontes abundantes;
–36 e ali fez habitarem os famintos, *
que fundaram sua cidade onde morar.
–37 Plantaram vinhas, semearam os seus campos, *
que deram frutos e colheitas abundantes.
–38 Abençoou-os e cresceram grandemente, *
e não deixou diminuir o seu rebanho.
–39 Mas depois ficaram poucos e abatidos, *
oprimidos por desgraças e aflições;
–40 porém Aquele que confunde os poderosos *
e os fez errar por um deserto sem saída,
–41 retirou da indigência os seus pobres, *
e qual rebanho aumentou suas famílias.
–42 Que os justos vejam isto e rejubilem, *
e os maus fechem de vez a sua boca!
–43 Quem é sábio, que observe essas coisas *
e compreenda a bondade do Senhor!
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Que os justos, vendo as obras do Senhor,
compreendam como é grande o seu amor!
℣. Chega às nuvens a vossa verdade, Senhor,
℟. E aos abismos dos mares, os vossos juízos.
Primeira Leitura
Do Livro das Lamentações 5,1-22
Prece pela libertação do povo
1Lembra-te, Senhor, do que nos aconteceu, vê e considera a nossa humilhação. 2Nossa herança passou a estrangeiros, nossa habitação, a desconhecidos. 3Estamos órfãos de pai, nossas mães estão viúvas. 4Pagamos para beber nossa água, compramos a dinheiro nossa lenha. 5Suportamos canga no nosso pescoço, cansados, não nos dão repouso. 6Demos as mãos a egípcios e assírios, para abastecer-nos de pão. 7Nossos pais pecaram e já não existem, mas nós sofremos o peso de suas culpas. 8Escravos são os que dominam sobre nós; ninguém nos liberta de suas mãos. 9Conseguimos pão com risco de vida, enfrentando a espada na orla do deserto. 10Nossa pele enrugou-se como ao forno pelo ardor da fome. 11Em Sião foram desonradas as mulheres e as jovens na cidade de Judá. 12Fizeram enforcar nossos chefes; não respeitaram a idade de nossos anciãos. 13Os jovens tinham de girar a mó do moinho e os meninos, de carregar lenha. 14Os anciãos não mais comparecem às portas, os jovens não frequentam o coro de música. 15Acabou a alegria do nosso coração, o nosso canto degenerou em tristeza. 16Caiu a coroa da nossa cabeça; ai de nós, que pecamos. 17Por isso tudo, está triste o nosso coração, por isso, meus olhos perderam o brilho: 18pois que o monte Sião está devastado, por lá andam à solta as raposas. 19Mas tu, Senhor, permaneces para a eternidade e o teu trono subsiste de geração em geração. 20Por que esquecer-te de nós, sempre, e abandonar-nos por tanto tempo? 21Atrai-nos para ti, Senhor, e para ti nós nos voltaremos; faze-nos reviver os dias de outrora. 22A não ser que nos rejeitaste totalmente, não estás irritado demais conosco?
Responsório
℟. Vós, Senhor, permaneceis eternamente; por que nos esqueceis perpetuamente?
* Ó Senhor, reconduzi-nos para vós, e para vós nós voltaremos convertidos.
℣. Salvai-nos, ó Senhor, que perecemos! * Ó Senhor.
Segunda Leitura
Dos Sermões de Santo Atanásio, bispo
(Oratio de incarnatione Verbi, 10: PG 25,111-114)
(Séc. IV)
Renova os nossos dias como no princípio
Deus Verbo do excelso Pai não abandonou a natureza dos homens que descambava para a corrupção. Mas pela oblação do próprio corpo destruiu a morte em que haviam incorrido, corrigiu pela doutrina sua indignidade e tudo de humano restaurou.
Poderá confirmar tudo isto pela autoridade dos teólogos, discípulos de Cristo, quem quer que leia o que dizem: A caridade de Cristo nos urge, sabendo que se um morreu por todos, logo todos estão mortos; e por todos morreu ele para que não mais vivamos para nós mesmos, mas para aquele que por nós morreu e ressuscitou dos mortos, nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 2Cor 5,14-15). E de novo: Aquele que foi colocado por pouco tempo abaixo dos anjos, Jesus, nós o vemos coroado de glória e de honra, por causa dos sofrimentos da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte em favor de todos (Hb 2,9). Mais adiante, dá a razão por que ao Deus Verbo e só a ele convinha fazer-se homem: Convinha que o autor da salvação, para quem tudo e por quem tudo foi feito, e que levaria muitos filhos à glória, chegasse à consumação pela paixão (Hb 2,10). Por estas palavras significa não competir a outro que não ao Deus Verbo, por quem foram criados no início, arrancar os homens da corrupção.
Foi este o motivo por que o Verbo aceitou um corpo, a fim de se tornar vítima em favor dos corpos semelhantes; também isto se afirma pelos seguintes dizeres: Os filhos têm em comum a carne e o sangue; ele de igual modo deles participou, para destruir por sua morte aquele que detinha o império da morte, isto é, o diabo, e libertar os que pelo temor da morte eram sujeitos à escravidão durante toda a vida (Hb 2,14-15). Na verdade, imolando o próprio corpo, pôs fim à lei decretada contra nós e para nós renovou o princípio da vida, dando a esperança de ressurgirmos.
A morte recebera dos homens o poder contra os homens; pelo Verbo de Deus enviado aos homens, veio a destruição da morte e a ressurreição da vida, como disse o varão repleto de Cristo: Porque por um homem entrou a morte e por um homem, a ressurreição dos mortos. Pois como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos serão vivificados (1Cor 15,21-22) e o que se segue. Já não mais morremos para nosso castigo, mas como os que serão despertados dos mortos aguardamos a ressurreição comum a todos. Em seu tempo, Deus, o autor e doador destas coisas, o manifestará.
Responsório
℟. Pois, todos os homens pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados, de graça, mediante a libertação, realizada por meio de Cristo.
* Deus destinou que Cristo fosse, por seu sangue, a vítima da propiciação, pela fé que colocamos nele mesmo.
℣. Assim como em Adão todos morrem, terão todos a vida em Cristo. * Deus.
Oração
Ó Deus eterno e todo-poderoso, que nos concedeis no vosso imenso amor de Pai mais do que merecemos e pedimos, derramai sobre nós a vossa misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
✠ Conclusão da Hora ✠
℣. Bendigamos ao Senhor.
℟. Graças a Deus.