Ofício das Leituras, Ofício das Leituras de Quarta-feira da 4ª Semana do Saltério

Ofício das Leituras

Ofício das Leituras de Quarta-feira da 4ª Semana do Saltério

Quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Tempo Comum Verde 4ª semana do Saltério
100%

℣. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
℟. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

Hino

I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:
Autor dos seres, Redentor dos tempos,
Juiz temível, Cristo, Rei dos reis,
nosso louvor, o nosso canto e prece,
clemente, acolhei.

Sobe até vós no transcorrer da noite,
como oferenda, um jovial louvor.
Por vós aceito, traga a nós conforto,
da luz, ó Autor.

A honestidade alegre os nossos dias,
não haja morte e treva em nossa vida.
Em nossos atos, sempre a vossa glória
seja refletida!

Queimai em nós o coração e os rins
com a divina chama, o vosso amor.
Velemos, tendo em mãos acesas lâmpadas,
pois vem o Senhor.

Ó Salvador, a vós louvor e glória,
e a vosso Pai, Deus vivo, Sumo Bem.
Ao Santo Espírito o céu entoe hosanas
para sempre. Amém.

II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:
Luz verdadeira, amor, piedade,
e alegria sem medida;
da morte, ó Cristo, nos salvastes!
Por vosso sangue temos vida.

O vosso amor nos corações,
nós vos pedimos, derramai;
dai-lhes da fé a luz eterna
e em caridade os confirmai.

De nós se afaste Satanás,
por vossas forças esmagado.
E venha a nós o Santo Espírito
do vosso trono o Enviado.

Louvor a Deus, eterno Pai,
e a vós seu Filho, Sumo Bem,
reinando unidos pelo Espírito
hoje e nos séculos. Amém.

Salmodia

Ant.1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
não te esqueças de nenhum de seus favores!

Salmo 102(103)

Hino à misericórdia do Senhor
Graças à misericordiosa compaixão do nosso Deus, o sol que nasce do alto nos veio visitar (cf. Lc 1,78).

I

–1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, *
e todo o meu ser, seu santo nome!
–2 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, *
não te esqueças de nenhum de seus favores!

–3 Pois ele te perdoa toda culpa, *
e cura toda a tua enfermidade;
–4 da sepultura ele salva a tua vida *
e te cerca de carinho e compaixão;
–5 de bens ele sacia tua vida, *
e te tornas sempre jovem como a águia!

–6 O Senhor realiza obras de justiça *
e garante o direito aos oprimidos;
–7 revelou os seus caminhos a Moisés, *
e aos filhos de Israel, seus grandes feitos.

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
não te esqueças de nenhum de seus favores!

Ant.2 Como um pai se compadece de seus filhos,
o Senhor tem compaixão dos que o temem.

II

–8 O Senhor é indulgente, é favorável, *
é paciente, é bondoso e compassivo.
–9 Não fica sempre repetindo as suas queixas, *
nem guarda eternamente o seu rancor.
–10 Não nos trata como exigem nossas faltas, *
nem nos pune em proporção às nossas culpas.

–11 Quanto os céus por sobre a terra se elevam, *
tanto é grande o seu amor aos que o temem;
–12 quanto dista o nascente do poente, *
tanto afasta para longe nossos crimes.
–13 Como um pai se compadece de seus filhos, *
o Senhor tem compaixão dos que o temem.

–14 Porque sabe de que barro somos feitos, *
e se lembra que apenas somos pó.
–15 Os dias do homem se parecem com a erva, *
ela floresce como a flor dos verdes campos;
–16 mas apenas sopra o vento ela se esvai, *
já nem sabemos onde era o seu lugar.

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Como um pai se compadece de seus filhos,
o Senhor tem compaixão dos que o temem.

Ant.3 Obras todas do Senhor, glorificai-o!

III

–17 Mas o amor do Senhor Deus por quem o teme *
é de sempre e perdura para sempre;
– e também sua justiça se estende *
por gerações até os filhos de seus filhos,
–18 aos que guardam fielmente sua Aliança *
e se lembram de cumprir os seus preceitos.

–19 O Senhor pôs o seu trono lá nos céus, *
e abrange o mundo inteiro seu reinado.
=20 Bendizei ao Senhor Deus, seus anjos todos, †
valorosos que cumpris as suas ordens, *
sempre prontos para ouvir a sua voz!

–21 Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, *
seus ministros, que fazeis sua vontade!
=22 Bendizei-o, obras todas do Senhor †
em toda parte onde se estende o seu reinado! *
Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Obras todas do Senhor, glorificai-o!

℣. Fazei-me conhecer vossos caminhos.
℟. E então meditarei vossos prodígios!

Primeira Leitura

Do Livro do Profeta Zacarias 3,1–4,14

Promessas feitas ao príncipe Zorobabel
e ao sumo-sacerdote Josué

3,1 "Depois, mostrou-me Josué, grão-sacerdote, em pé diante do anjo do Senhor; Satã estava à sua direita para acusá-lo. 2 E o anjo do Senhor disse a Satã: "Que o Senhor te repreenda, Satã! O Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreenda! Acaso não é este homem como um tição retirado do fogo?" 3Josué tinha as roupas sujas e estava em pé diante do anjo. 4Este dirigiu-se aos que estavam à sua frente, dizendo: "Tirai-lhe essas roupas sujas". A ele disse: "Vê como te livrei desta afronta; vou-te vestir com uma muda de roupa nova". 5E continuou: "Colocai um turbante limpo sobre a sua cabeça". Puseram um turbante limpo sobre a cabeça e fizeram-no mudar de roupa; o anjo do Senhor permanecia de pé.

6 O anjo do Senhor dava testemunho, dizendo a Josué: 7"Assim fala o Senhor dos exércitos: Se andares pelos meus caminhos e executares o meu serviço, serás também juiz em minha casa e o guarda dos meus aposentos; eu te darei acesso junto aos que aqui assistem. 8 Josué, grão-sacerdote, tu e os amigos que se sentam à tua frente, e que são homens capazes de predição, escutai: Vede que eu farei vir o meu servo, um novo rebento. 9Aqui está a pedra que pus diante de Josué: há sete olhos em cima de uma única pedra; vede que eu esculpirei sobre ela, diz o Senhor dos exércitos; e num só dia hei de limpar as mazelas dessa terra. 10Naquele dia – oráculo do Senhor dos exércitos – um amigo convidará o outro para debaixo da videira e da figueira".

4,1 Voltou o anjo que falava comigo e fui despertado por ele, como de um sono. 2Disse-me ele: "O que estás vendo?" Respondi: "Vejo um candelabro todo de ouro, tendo na parte superior um recipiente e sete lâmpadas de azeite com sete condutos para as lâmpadas. 3Há duas oliveiras por cima dele, uma à direita do recipiente e outra à esquerda".

4 Voltei a falar com o anjo que estava comigo, dizendo: "O que são estas coisas, Senhor meu?" 5O anjo que falava comigo atendeu e disse: "Então não sabes o que são?" Disse eu: "Não, meu Senhor".

6 Respondeu-me, dizendo: "Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel: Não contarás com armas nem com a força, mas com o meu espírito, diz o Senhor dos exércitos. 7Perante Zorobabel, que és tu, ó grande monte? Vais tornar-te planície. Ele porá a pedra principal em meio a gritos de alegria: Oh como é bela! 8Veio a mim a palavra do Senhor que dizia: 9As mãos de Zorobabel puseram os alicerces desta casa e suas mãos farão o acabamento, e sabereis que o Senhor dos exércitos me enviou a vós. 10Quem desprezou os dias dos pequenos inícios? Todos se alegrarão, ao verem a pedra escolhida nas mãos de Zorobabel. As sete lâmpadas são os olhos do Senhor que percorrem toda a terra".

11 Voltei a falar e disse-lhe: "O que são essas duas oliveiras à direita e à esquerda do candelabro?" 12Insisti, pela segunda vez, dizendo: "O que são os dois ramos de oliveira que em dois tubos dourados deixam escorrer o óleo dourado?" 13Ele me disse: "Então não sabes o que são?" Respondi: "Não, meu Senhor". 14Disse ele: "Estes são os dois ungidos com óleo que ladeiam o Dominador da terra".

Responsório

℟. São eles as duas oliveiras, são eles os dois candelabros,

* Perante o Senhor desta terra.

℣. O Senhor do universo deixará, que suas duas testemunhas profetizem.

* Perante.

Segunda Leitura

Das Respostas a Talássio, de São Máximo Confessor, abade
(Quaest. 63: PG 90,667-670)
(Séc. VII)

A luz que ilumina todo ser humano

A lâmpada posta sobre o candelabro é a paterna e verdadeira luz que ilumina todo ser humano que vem ao mundo (cf. Jo 1,9), nosso Senhor Jesus Cristo. Por ser um de nós e ter assumido nossa carne, tornou-se e foi chamado lâmpada. Isto é, a sabedoria e a palavra do Pai por natureza, que na Igreja de Deus é pregada com fé pura e, pela vida orientada pela virtude e observância dos mandamentos, é erguida e resplandece entre as nações. Ilumina a todos que estão em casa (a saber, neste mundo), conforme a mesma Palavra de Deus em certo trecho: Ninguém acende uma lâmpada e a põe sob uma vasilha, mas sobre o candelabro. E iluminará a todos que estão em casa (Mt 5,15), dando a si mesmo claramente o nome de lâmpada, porquanto, sendo Deus por natureza, fez-se homem segundo o desígnio divino.

Parece-me que também o grande Davi, compreendendo isto, diz ser o Senhor uma lâmpada, ao dizer: Lâmpada para meus pés, a tua lei é luz para meus caminhos (Sl 118,105). Meu Salvador e Deus é tão luminoso que dissipa as trevas da ignorância e do vício. Também por isto a Escritura o designa como lâmpada.

Na verdade só ele, qual lâmpada, desfaz a escuridão da ignorância, repele o negrume da maldade e do vício. Por este motivo fez-se o caminho de salvação para todos. Pelo poder e a ciência conduz ao Pai aqueles que estão resolvidos a nele caminhar, como pela via da justiça, nos divinos mandamentos. Por candelabro entende-se a santa Igreja, onde a palavra de Deus refulge pela pregação diante de todos quantos habitam neste mundo como em uma casa, ilumina com o esplendor da verdade e os espíritos ficam repletos da ciência divina.

A palavra não se sujeita a ser posta sob uma vasilha, ela que se destina a ser colocada no mais alto cume e na imensa beleza da Igreja. Enquanto a palavra se acha presa à letra da lei, como sob uma vasilha, todos se privam da luz eterna. Não seria fonte de contemplação espiritual para aqueles que procuram libertar-se da sedução enganadora dos sentidos que nos inclinam a captar somente as coisas passageiras e materiais. Mas é colocada no candelabro da Igreja, a fim de iluminar a todos pela adoração em espírito e verdade.

Se a letra não é interpretada segundo o seu espírito, não tem senão o valor material de sua expressão, e não permite que a alma chegue a compreender o sentido do que está escrito.

Por conseguinte, tendo acendido a lâmpada (quer dizer, o sentido que acende a luz da ciência) pelo ato da contemplação e da ação, não a ponhamos sob uma vasilha. E também não sejamos acusados de falta por comprimir na letra o indizível poder da sabedoria. Mas sim sobre o candelabro (a santa Igreja) para que, do alto vértice da verdadeira contemplação, estenda a todos o facho da divina doutrina.

Responsório

℟. Caminhai, enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos cubram, diz Cristo.

* Crede na luz, enquanto tendes a luz, a fim de serdes filhos da luz.

℣. Para que veja todo aquele que não vê, é para isto que eu vim a este mundo. * Crede.

Oração

Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

℣. Bendigamos ao Senhor.
℟. Graças a Deus.