Ofício das Leituras
Ofício das Leituras de Sexta-feira da 2ª Semana do Saltério
Sexta-feira, 30 de outubro de 2026
℣. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
℟. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.
Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.
Hino
I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:
Ao som da voz do galo,
já foge a noite escura.
Ó Deus, ó luz da aurora,
nossa alma vos procura.
Enquanto as coisas dormem,
guardai-nos vigilantes,
brilhai aos nossos olhos
qual chama cintilante.
Do sono já despertos,
por graça imerecida,
de novo contemplamos
a luz, irmã da vida.
Ao Pai e ao Filho glória,
ao seu Amor também,
Deus Trino e Uno, luz
e vida eterna. Amém.
II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:
Criador do Universo
do Pai luz e resplendor,
revelai-nos vossa face
e livrai-nos do pavor.
Pelo Espírito repletos,
templos vivos do Senhor,
não se rendam nossas almas
aos ardis do tentador,
para que, durante a vida,
nas ações de cada dia,
pratiquemos vossa lei
com amor e alegria.
Glória a Cristo, Rei clemente,
e a Deus Pai, Eterno Bem,
com o Espírito Paráclito,
pelos séculos. Amém.
Salmodia
Ant.1 Repreendei-me, Senhor, mas sem ira! †
Salmo 37(38)
Súplica de um pecador em extremo perigo
Todos os conhecidos de Jesus ficaram à distância (Lc 23,49).
I
–2 Repreendei-me, Senhor, mas sem ira; *
† corrigi-me, mas não com furor!
–3 Vossas flechas em mim penetraram; *
vossa mão se abateu sobre mim.
–4 Nada resta de são no meu corpo, *
pois com muito rigor me tratastes!
– Não há parte sadia em meus ossos, *
pois pequei contra vós, ó Senhor!
–5 Meus pecados me afogam e esmagam, *
como um fardo pesado me oprimem.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant.1 Repreendei-me, Senhor, mas sem ira! †
Ant.2 Conheceis meu desejo, Senhor.
II
–6 Cheiram mal e supuram minhas chagas *
por motivo de minhas loucuras.
–7 Ando triste, abatido, encurvado, *
todo o dia afogado em tristeza.
–8 As entranhas me ardem de febre, *
já não há parte sã no meu corpo.
–9 Meu coração grita e geme de dor, *
esmagado e humilhado demais.
–10 Conheceis meu desejo, Senhor, *
meus gemidos vos são manifestos;
=11 bate rápido o meu coração, †
minhas forças estão me deixando, *
e sem luz os meus olhos se apagam.
=12 Companheiros e amigos se afastam, †
fogem longe das minhas feridas; *
meus parentes mantêm-se à distância.
–13 Armam laços os meus inimigos, *
que procuram tirar minha vida;
– os que buscam matar-me ameaçam *
e maquinam traições todo o dia.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Conheceis meu desejo, Senhor.
Ant.3 Confesso, Senhor, minha culpa:
salvai-me, e jamais me deixeis!
III
–14 Eu me faço de surdo e não ouço, *
eu me faço de mudo e não falo;
–15 semelhante a alguém que não ouve *
e não tem a resposta em sua boca.
–16 Mas, em vós, ó Senhor, eu confio, *
e ouvireis meu lamento, ó meu Deus!
–17 Pois rezei: “Que não zombem de mim, *
nem se riam, se os pés me vacilam!”
–18 Ó Senhor, estou quase caindo, *
minha dor não me larga um momento!
–19 Sim, confesso, Senhor, minha culpa: *
meu pecado me aflige e atormenta.
=20 São bem fortes os meus adversários †
que me vêm atacar sem razão; *
quantos há que sem causa me odeiam!
–21 Eles pagam o bem com o mal, *
porque busco o bem, me perseguem.
–22 Não deixeis vosso servo sozinho, *
ó meu Deus, ficai perto de mim!
–23 Vinde logo trazer-me socorro, *
porque sois para mim Salvação!
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Confesso, Senhor, minha culpa:
salvai-me, e jamais me deixeis!
℣. Os meus olhos se gastaram de esperar-vos
℟. E de aguardar vossa justiça e salvação.
Primeira Leitura
Do Livro da Sabedoria 8,1-21
A Sabedoria deve ser pedida a Deus
1 A Sabedoria se estende com vigor de uma extremidade à outra da terra e com suavidade governa todas as coisas.
2 Eu a amei e desejei desde a juventude e pretendi tomá-la como esposa, apaixonado pela sua beleza.
3 A sua convivência com Deus realça a sua nobre origem, pois o Senhor de todas as coisas a amou.
4 Iniciada na própria ciência de Deus é ela quem seleciona as suas obras.
5 Se a riqueza é um bem desejável na vida, que há de mais rico que a Sabedoria, que faz todas as coisas?
6 E se é a inteligência que opera, quem mais que a Sabedoria é artífice do que existe?
7 E se alguém ama a justiça, saiba que as virtudes são seus frutos: ela ensina a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza que são os bens mais úteis na vida dos homens.
8 Se alguém deseja uma vasta experiência, ela conhece o passado e adivinha o futuro, conhece a sutileza das palavras e resolve os enigmas, prevê sinais e prodígios e os acontecimentos das épocas e dos tempos.
9 Decidi, pois, tomá-la por companheira de minha vida, sabendo que me seria conselheira para o bem e conforto nas preocupações e na tristeza.
10 Por causa dela serei louvado pelas multidões, mesmo sendo jovem, serei honrado pelos anciãos;
11 nos julgamentos reconhecerão minha perspicácia e provocarei a admiração dos poderosos.
12 Se eu me calar, ficarão esperando que eu fale, e se eu falar, hão de prestar atenção, e, se prolongar minhas palavras, colocarão a mão sobre a boca.
13 Por causa dela alcançarei a imortalidade e deixarei lembrança eterna à minha posteridade.
14 Governarei os povos e dominarei as nações;
15 ao ouvir o meu nome, reis terríveis se assustarão; mostrar-me-ei bom com o povo, e valente na guerra.
16 De volta para casa, descansarei ao seu lado, porque sua companhia não traz amargura, sua intimidade não traz aflição, mas sim alegria e contentamento.
17 Meditando estas coisas comigo mesmo, e considerando em meu coração que a imortalidade está no parentesco com a Sabedoria,
18 e que na sua amizade existe alegria perfeita, e riqueza inesgotável no trabalho de suas mãos, e inteligência, na assiduidade da sua companhia e, na participação de suas palavras, celebridade, eu ia por toda parte procurando conquistá-la para mim.
19 Fui criança bem dotada e tinha ganho o quinhão de uma alma boa;
20 ou, melhor, como eu era bom, vim a um corpo sem mancha.
21 Sabendo, porém, que só poderia obter a Sabedoria, se Deus me concedesse – e já era sinal de inteligência saber a origem desta graça – dirigi-me ao Senhor e rezei.
Responsório
Sb 7,7.8a; Tg 1,5
℟. Pedi e foi-me dada inteligência,
* Roguei e recebi sabedoria;
aos tronos e ao poder a preferi.
℣. Se alguém de vós não tem sabedoria,
peça a Deus que a dá a todos com largueza. * Roguei.
Segunda Leitura
Das Obras de Balduíno de Cantuária, bispo
(Tract. 6: PL 204,451-453)
(Séc. XII)
A palavra de Deus é viva e eficaz
A palavra de Deus é viva e eficaz, mais penetrante que uma espada de dois gumes (Hb 4,12). Quão grande seja o poder e quanta sabedoria na palavra de Deus, estas palavras o demonstram aos que buscam a Cristo, que é o verbo, poder e sabedoria de Deus. Coeterno com o Pai no princípio, este verbo no tempo determinado revelou-se aos apóstolos e, por eles anunciado, foi humildemente recebido na fé pelos povos que creem. Está, portanto, o verbo no Pai, o verbo nos lábios, o verbo no coração.
Esta palavra de Deus é viva; o Pai deu-lhe ter a vida em si mesmo, do mesmo modo como tem ele a vida em si mesmo. Por isto é não apenas viva, mas a vida, conforme ele disse a seu respeito: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6). Sendo a vida, é vivo de forma a ser vivificante. Pois, como o Pai ressuscita os mortos e vivifica-os, também o Filho vivifica a quem quer (Jo 5,21). É vivificante ao chamar o morto do sepulcro: Lázaro, vem para fora (Jo 11,42).
Quando esta palavra é pregada pela voz do pregador que se escuta no exterior, ele dá a esta voz a palavra de poder, percebida interiormente. Por ela, os mortos revivem e com seus louvores são suscitados filhos de Abraão. É, portanto, viva esta palavra no coração do Pai, viva na boca do pregador, viva no coração daquele que crê e ama. Sendo assim viva, não há dúvida de ser também eficaz.
É eficaz na criação das coisas, eficaz no governo do mundo, eficaz na redenção do universo. Que de mais eficaz, de mais poderoso? Quem dirá seus portentos, fará ouvir todo o seu louvor? (Sl 105,2). É eficaz ao agir, eficaz ao ser anunciada. Pois não volta vazia, mas tem êxito em tudo a quanto é enviada.
Eficaz e mais penetrante do que a espada de dois gumes (Hb 4,12), quando é crida e amada. O que será impossível a quem crê, ou difícil a quem ama? Quando este verbo fala, suas palavras transpassam o coração quais setas agudas do poderoso. Como pregos profundamente cravados, entram e penetram até o mais íntimo. Porque é mais aguda do que a espada de dois gumes esta palavra, já que é mais poderosa do que toda a força e poder para abrir, e mais sutil do que a maior argúcia do engenho humano. Mais que toda sabedoria humana e a sutileza das palavras doutas, é ela penetrante.
Responsório
Eclo 1,5.16a
℟. A fonte da sabedoria é a Palavra de Deus nas alturas;
* Os preceitos eternos de Deus
são a estrada em que ela caminha.
℣. O princípio da sabedoria é viver no temor do Senhor.
* Os preceitos.
Oração
Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Conclusão da Hora
℣. Bendigamos ao Senhor.
℟. Graças a Deus.