Ofício das Leituras
Ofício das Leituras de Sábado da 3ª Semana do Saltério
Sábado, 7 de novembro de 2026
℣. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
℟. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.
Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.
Hino
I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:
Um Deus em três pessoas,
o mundo governais:
dos homens que criastes
as faltas perdoais.
Ouvi, pois, nosso canto
e o pranto que vertemos:
de coração sem mancha,
melhor vos contemplemos.
Por vosso amor tenhamos
a alma iluminada,
e alegres aguardemos,
Senhor, vossa chegada.
Rompendo agora a noite,
do sono despertados,
com os bens da pátria eterna
sejamos cumulados!
A glória seja ao Pai,
ao Filho seu também;
ao Espírito igualmente,
agora e sempre. Amém.
II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:
Autor da glória eterna,
que ao povo santo dais
a graça septiforme
do Espírito, escutai:
Tirai ao corpo e à mente
do mal as opressões;
cortai os maus instintos,
curai os corações.
Tornai as mentes calmas,
as obras completai,
ouvi do orante as preces,
a vida eterna dai.
Do tempo, em sete dias,
o curso conduzis.
No dia oitavo e último
vireis como juiz.
E nele, ó Redentor,
da ira nos poupai,
tirai-nos da esquerda,
à destra nos guardai.
Ouvi a prece humilde
do povo reverente,
e a vós daremos glória,
Deus Trino, eternamente.
Salmodia
Ant.1 Agradeçamos ao Senhor o seu amor
e as suas maravilhas entre os homens.
Salmo 106(107)
Ação de graças pela libertação
Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a boa-nova da paz, por meio de Jesus Cristo (At 10,36).
I
–1 Dai graças ao Senhor, porque ele é bom, *
porque eterna é a sua misericórdia!
–2 Que o digam os libertos do Senhor, *
que da mão dos opressores os salvou
–3 e de todas as nações os reuniu, *
do Oriente, Ocidente, Norte e Sul.
–4 Uns vagavam, no deserto, extraviados, *
sem acharem o caminho da cidade.
–5 Sofriam fome e também sofriam sede, *
e sua vida ia aos poucos definhando.
–6 Mas gritaram ao Senhor na aflição, *
e ele os libertou daquela angústia.
–7 Pelo caminho bem seguro os conduziu *
para chegarem à cidade onde morar.
–8 Agradeçam ao Senhor o seu amor *
e as suas maravilhas entre os homens!
–9 Deu de beber aos que sofriam tanta sede *
e os famintos saciou com muitos bens!
–10 Alguns jaziam em meio a trevas pavorosas, *
prisioneiros da miséria e das correntes,
–11 por se terem revoltado contra Deus *
e desprezado os conselhos do Altíssimo.
–12 Ele quebrou seus corações com o sofrimento; *
eles tombaram, e ninguém veio ajudá-los!
–13 Mas gritaram ao Senhor na aflição, *
e ele os libertou daquela angústia.
–14 E os retirou daquelas trevas pavorosas, *
despedaçou suas correntes, seus grilhões.
–15 Agradeçam ao Senhor por seu amor *
e por suas maravilhas entre os homens!
–16 Porque ele arrombou portas de bronze *
e quebrou trancas de ferro das prisões!
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Agradeçamos ao Senhor o seu amor
e as suas maravilhas entre os homens.
Ant.2 Nós vimos seus prodígios e suas maravilhas.
II
–17 Uns deliravam no caminho do pecado, *
sofrendo a consequência de seus crimes;
–18 todo alimento era por eles rejeitado, *
e da morte junto às portas se encontravam.
–19 Mas gritaram ao Senhor na aflição, *
e ele os libertou daquela angústia.
–20 Enviou sua palavra e os curou, *
e arrancou as suas vidas do sepulcro.
–21 Agradeçam ao Senhor o seu amor *
e as suas maravilhas entre os homens!
–22 Ofereçam sacrifícios de louvor, *
e proclamem na alegria suas obras!
–23 Os que sulcam o alto-mar com seus navios, *
para ir comerciar nas grandes águas,
–24 testemunharam os prodígios do Senhor *
e as suas maravilhas no alto-mar.
–25 Ele ordenou, e levantou-se o furacão, *
arremessando grandes ondas para o alto;
–26 aos céus subiam e desciam aos abismos, *
seus corações desfaleciam de pavor.
–27 Cambaleavam e caíam como bêbados, *
e toda a sua perícia deu em nada.
–28 Mas gritaram ao Senhor na aflição, *
e ele os libertou daquela angústia.
–29 Transformou a tempestade em bonança, *
e as ondas do oceano se calaram.
–30 Alegraram-se ao ver o mar tranquilo, *
e ao porto desejado os conduziu.
–31 Agradeçam ao Senhor o seu amor *
e as suas maravilhas entre os homens!
–32 Na assembleia do seu povo o engrandeçam *
e o louvem no conselho de anciãos!
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Nós vimos seus prodígios e suas maravilhas.
Ant.3 Que os justos, vendo as obras do Senhor,
compreendam como é grande o seu amor!
III
–33 Ele mudou águas correntes em deserto, *
e fontes de água borbulhante em terra seca;
–34 transformou as terras férteis em salinas, *
pela malícia dos que nelas habitavam.
–35 Converteu em grandes lagos os desertos *
e a terra árida em fontes abundantes;
–36 e ali fez habitarem os famintos, *
que fundaram sua cidade onde morar.
–37 Plantaram vinhas, semearam os seus campos, *
que deram frutos e colheitas abundantes.
–38 Abençoou-os e cresceram grandemente, *
e não deixou diminuir o seu rebanho.
–39 Mas depois ficaram poucos e abatidos, *
oprimidos por desgraças e aflições;
–40 porém Aquele que confunde os poderosos *
e os fez errar por um deserto sem saída,
–41 retirou da indigência os seus pobres, *
e qual rebanho aumentou suas famílias.
–42 Que os justos vejam isto e rejubilem, *
e os maus fechem de vez a sua boca!
–43 Quem é sábio, que observe essas coisas *
e compreenda a bondade do Senhor!
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Que os justos, vendo as obras do Senhor,
compreendam como é grande o seu amor!
℣. Chega às nuvens a vossa verdade, Senhor,
℟. E aos abismos dos mares, os vossos juízos.
Primeira Leitura
Do Primeiro Livro dos Macabeus 9,1-22
Morte de Judas Macabeu no combate
1 Quando soube que Nicanor e seu exército haviam sucumbido no combate, Demétrio enviou de novo Báquides e Alcimo ao território de Judá, com a ala direita do seu exército. 2 Empreenderam a marcha pelo caminho de Guilgal, tomaram de assalto Mesalot, no território de Arbelas, apoderaram-se da cidade e mataram grande número de habitantes. 3 No primeiro mês do ano cento e cinquenta e dois, acamparam em frente de Jerusalém. 4 Mas, depois, partiram dali e dirigiram-se para a Beréia, com vinte mil homens e dois mil cavaleiros. 5 Judas estava acampado em Elasa, tendo consigo três mil homens escolhidos, 6 os quais, ao verem o número considerável de inimigos, ficaram aterrorizados. Muitos fugiram então do acampamento, e não ficaram mais de oitocentos homens. 7 Judas viu que seu exército debandava, precisamente quando era iminente a batalha, e seu coração abateu-se, porque não tinha tempo de reagrupá-los. 8 Embora deprimido, disse aos que ficaram: "Avante! Marchemos contra nossos inimigos. Talvez possamos enfrentá-los!" 9 Eles, porém, tentavam dissuadi-lo, dizendo: "Não conseguiremos! Salvemos, agora, nossas vidas. Voltaremos depois com nossos irmãos, para combatê-los. Agora somos muito poucos". 10 Judas retrucou: "Longe de mim fazer isso, fugir diante do inimigo! Se chegou a nossa hora, morramos corajosamente por nossos irmãos, e não deixemos que se manche a nossa glória!"
11 O exército inimigo saiu do acampamento e tomou posição diante deles. A cavalaria estava dividida em dois esquadrões, os atiradores de funda e os flecheiros marchavam à frente do exército, os mais aguerridos na primeira fila. Báquides estava na ala direita. 12 A falange avançou dos dois lados ao som das trombetas. Os de Judas também tocaram as trombetas 13 e a terra tremeu com o ruído dos exércitos. Travou-se a batalha pela manhã e durou até a tarde. 14 Judas viu que Báquides e o mais forte do seu exército estavam à direita. Então reuniu em torno de si todos os homens intrépidos, 15 abateu com eles a ala direita e perseguiu-os até ao monte Azoto. 16 Mas quando os da ala esquerda perceberam que a ala direita estava sendo desbaratada, voltaram-se e atiraram-se atrás de Judas e seus companheiros. 17 Tornou-se renhida a luta. De ambos os lados, muitos foram feridos e caíram. 18 Judas também sucumbiu e os demais fugiram. 19 Jônatas e Simeão levaram Judas, seu irmão, e enterraram-no no sepulcro de seus pais, em Modin. 20 Todo o povo de Israel manifestou grande desolação, chorou-o e guardou luto durante vários dias, 21 dizendo: "Como sucumbiu o valente, salvador de Israel!" 22 As restantes façanhas de Judas, seus combates, seus feitos heróicos e atos gloriosos não se escreveram, por serem numerosos demais.
Responsório
Cf. 1Mc 4,8b.9a.10a.9
℟. A fúria do inimigo não temais;
lembrai-vos como outrora vossos pais
foram salvos ao passar o mar Vermelho.
* Clamemos para o céu neste momento,
e de nós terá piedade o nosso Deus.
℣. Recordai as maravilhas que ele fez,
o que fez ao Faraó e seu exército. * Clamemos.
Segunda Leitura
Do Tratado sobre o benefício da morte, de Santo Ambrósio, bispo
(Cap. 3,9; 4,15: CSEL 32,710.716-717)
(Séc. IV)
Levemos sempre em nós a morte de Cristo
Disse o Apóstolo: Para mim o mundo está crucificado, e eu, para o mundo (Gl 6,14). Para que saibamos, por fim, que nesta vida há morte e boa morte, exorta-nos a que levemos a morte de Jesus em nosso corpo (cf. 2Cor 4,10).
Pois quem tiver em si a morte de Jesus, precisa também ter em seu corpo a vida do Senhor Jesus. Atue, portanto, a morte em nós, para que também possa agir a vida. Vida excelente depois da morte, isto é, vida excelente depois da vitória, vida excelente, terminado o combate. Nela a lei da carne já não luta contra a lei do espírito, não há mais em nós peleja da morte contra o corpo, mas no corpo, a vitória sobre a morte. E francamente não sei qual tem maior força, esta morte ou a vida. É claro que atendo à autoridade do Apóstolo que diz: Portanto a morte age em nós, mas a vida, em vós (2Cor 4,12). A morte de um só a quanta gente faz crescer a vida! Por isto ensina ser desejável esta morte aos que ainda estão nesta vida, para que refulja em nossos corpos a morte de Cristo, aquela ditosa pela qual se destrói o ser exterior, a fim de ser renovado nosso homem interior (cf. 2Cor 2,16) e se desfaça nossa habitação terrena (cf. 2Cor 5,1), abrindo-se assim para nós a habitação celeste.
Imita, portanto, a morte, que se separa da união com esta carne e desata os laços de que fala o Senhor mediante Isaías: Desata as cadeias iníquas, solta os laços das altercações violentas, deixa livres os oprimidos, rompe todo limite injusto (Is 58,6).
O Senhor aceitou sujeitar-se à morte para que a culpa desaparecesse. Mas, para não ser de novo a morte o fim da natureza humana, foi-lhe dada a ressurreição dos mortos, para que pela morte se apagasse a culpa, pela ressurreição se perpetuasse a natureza.
Por isso, a morte é a passagem de tudo. É preciso que passes continuamente; passagem da corrupção para a incorrupção, da condição mortal à imortalidade, das perturbações para a tranquilidade. Por isto não te assuste a palavra morte, mas os benefícios da boa passagem te alegrem. Pois, que é a morte a não ser a sepultura dos vícios, o despertar das virtudes? Por isto disse ele: Morra minha alma nas almas dos justos (Nm 23,10), quer dizer, seja consepultada para depor seus vícios, assumir a graça dos justos, que trazem no corpo e na alma a morte de Cristo.
Responsório
2Tm 2,11-12a; Eclo 1,29
℟. É fiel esta palavra:
Se com Cristo nós morremos, com Cristo viveremos;
* Se com ele nós sofremos, com ele reinaremos.
℣. Espera paciente até o tempo oportuno,
e então a alegria será recompensa. * Se com ele.
Oração
Ó Deus eterno e todo-poderoso, que nos concedeis no vosso imenso amor de Pai mais do que merecemos e pedimos, derramai sobre nós a vossa misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Conclusão da Hora
℣. Bendigamos ao Senhor.
℟. Graças a Deus.