Ofício das Leituras
Ofício das Leituras da Memória de São Leão Magno
Terça-feira, 10 de novembro de 2026
Nasceu na Toscana (Itália) e no ano 440 foi elevado à Cátedra de Pedro, cargo que exerceu como verdadeiro pastor e pai. Trabalhou intensamente pela integridade da fé, defendeu com ardor a unidade da Igreja, empenhou-se por todos os meios possíveis em evitar as incursões dos bárbaros ou mitigar os seus efeitos. Por toda esta atividade extraordinária mereceu com toda a justiça ser apelidado “Magno”. Morreu no ano 461.
℣. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
℟. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.
Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.
Hino
Cristo Pastor, modelo dos pastores,
comemorando a festa deste Santo,
a multidão fiel e jubilosa,
vosso louvor celebra neste canto.
Vossas ovelhas, que a São Pedro destes
para guardar, formando um só rebanho,
ele as regeu, por vossa escolha ungido,
e as protegeu contra qualquer estranho.
Do seu rebanho foi pastor e exemplo,
ao pobre alívio e para os cegos luz,
pai carinhoso, tudo para todos,
seguindo em tudo o Bom Pastor Jesus.
Cristo, que aos santos dais nos céus o prêmio,
com vossa glória os coroando assim,
dai-nos seguir os passos deste mestre
e ter um dia um semelhante fim.
Justo louvor ao Sumo Pai cantemos,
e a vós, Jesus, Eterno Rei, também.
Honra e poder ao vosso Santo Espírito
no mundo inteiro, agora e sempre. Amém.
Salmodia
Ant.1 Ó Senhor, chegue até vós o meu clamor,
não me oculteis a vossa face em minha dor!
Salmo 101(102)
Anseios e preces de um exilado
Bendito seja Deus que nos consola em todas as nossas aflições! (2Cor 1,4).
I
–2 Ouvi, Senhor, e escutai minha oração, *
e chegue até vós o meu clamor!
–3 De mim não oculteis a vossa face *
no dia em que estou angustiado!
– Inclinai o vosso ouvido para mim, *
ao invocar-vos atendei-me sem demora!
–4 Como fumaça se desfazem os meus dias, *
estão queimando como brasas os meus ossos.
–5 Meu coração se tornou seco igual à erva, *
até esqueço de tomar meu alimento.
–6 À força de gemer e lamentar, *
tornei-me tão-somente pele e osso.
–7 Eu pareço um pelicano no deserto, *
sou igual a uma coruja entre ruínas.
–8 Perdi o sono e passo a noite a suspirar *
como a ave solitária no telhado.
–9 Meus inimigos me insultam todo o dia, *
enfurecidos lançam pragas contra mim.
–10 É cinza em vez de pão minha comida, *
minha bebida eu misturo com as lágrimas.
–11 Em vossa indignação, em vossa ira *
me exaltastes, mas depois me rejeitastes;
–12 os meus dias como sombras vão passando, *
e aos poucos vou murchando como a erva.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Ó Senhor, chegue até vós o meu clamor,
não me oculteis a vossa face em minha dor!
Ant.2 Ouvi, Senhor, a oração dos oprimidos!
II
–13 Mas vós, Senhor, permaneceis eternamente, *
de geração em geração sereis lembrado!
–14 Levantai-vos, tende pena de Sião, *
já é tempo de mostrar misericórdia!
–15 Pois vossos servos têm amor aos seus escombros *
e sentem compaixão de sua ruína.
–16 As nações respeitarão o vosso nome, *
e os reis de toda a terra, a vossa glória;
–17 quando o Senhor reconstruir Jerusalém *
e aparecer com gloriosa majestade,
–18 ele ouvirá a oração dos oprimidos *
e não desprezará a sua prece.
–19 Para as futuras gerações se escreva isto, *
e um povo novo a ser criado louve a Deus.
–20 Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, *
e o Senhor olhou a terra do alto céu,
–21 para os gemidos dos cativos escutar *
e da morte libertar os condenados.
–22 Para que cantem o seu nome em Sião *
e louve ao Senhor Jerusalém,
–23 quando os povos e as nações se reunirem *
e todos os impérios o servirem.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Ouvi, Senhor, a oração dos oprimidos!
Ant.3 A terra, no princípio, vós criastes,
e os céus, por vossas mãos, foram criados.
III
–24 Ele abateu as minhas forças no caminho *
e encurtou a duração da minha vida.
=25 Agora eu vos suplico, ó meu Deus; †
não me leveis já na metade dos meus dias, *
vós, cujos anos são eternos, ó Senhor!
–26 A terra no princípio vós criastes, *
por vossas mãos também os céus foram criados;
–27 eles perecem, vós porém permaneceis; *
como veste os mudais e todos passam;
– ficam velhos todos eles como roupa, *
28 mas vossos anos não têm fim, sois sempre o mesmo!
=29 Assim também a geração dos vossos servos †
terá casa e viverá em segurança, *
e ante vós se firmará sua descendência.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. A terra, no princípio, vós criastes,
e os céus, por vossas mãos, foram criados.
℣. Escuta, ó meu povo, a minha lei.
℟. Ouve atento as palavras que eu te digo!
Primeira Leitura
Do Livro do Profeta Daniel 3,8-12.19-24.91-97
A estátua de ouro do rei. Os jovens salvos da fornalha
8 Naquele tempo aproximaram-se alguns caldeus, acusando os judeus, 9 e disseram ao rei Nabucodonosor: "Ó rei, que vivas para sempre! 10 Tu mesmo, ó rei, decretaste que todo homem, ao ouvir o som de trombeta, flauta e cítara, de harpa e saltério, de um conjunto musical de todo o tipo de instrumentos, tem de prostrar-se em adoração à estátua de ouro; 11 e que, se alguém não se prostrar em adoração, seja atirado na fornalha de fogo ardente. 12 Pois bem, aqueles judeus, que colocaste para administrar a província da Babilônia, Sidrac, Misac e Abdênago, são homens que não prestam as honras devidas a ti, ó rei, nem prestam o culto aos teus deuses, nem adoram a estátua de ouro que fizeste erigir".
19 A estas palavras, Nabucodonosor encheu-se de cólera contra Sidrac, Misac e Abdênago, a ponto de se alterar a expressão do rosto; deu ordem para acender a fornalha com sete vezes mais fogo que de costume; 20 e encarregou os soldados mais fortes do exército para amarrarem Sidrac, Misac e Abdênago e os lançarem na fornalha de fogo ardente. 21 Amarrados, os homens foram imediatamente lançados na fornalha ardente, juntamente com suas roupas, calças, capas e calçados; 22 ora, as ordens do rei eram urgentes, e como a fornalha ficou excessivamente aquecida, as chamas devoraram os homens que tinham atirado ao fogo Sidrac, Misac e Abdênago, 23 enquanto que estes três, amarrados, caíram no meio do forno cheio de fogo. 24 Andavam de cá para lá no meio das chamas, entoando hinos a Deus e bendizendo ao Senhor.
91 Então, o rei Nabucodonosor, tomado de pasmo, levantou-se apressadamente, e perguntou a seus ministros: "Porventura, não lançamos três homens bem amarrados no meio do fogo?" Responderam ao rei: "É verdade, ó rei". 92 Disse este: "Mas eu estou vendo quatro homens andando livremente no meio do fogo, sem sofrerem nenhum mal, e o aspecto do quarto homem é semelhante ao de um filho de Deus". 93 Nabucodonosor, então, acercou-se da boca da fornalha de fogo ardente e disse: "Sidrac, Misac e Abdênago, servos do Deus altíssimo, vinde para fora". Logo saíram Sidrac, Misac e Abdênago do meio do fogo. 94 Reunidos os sátrapas, governantes, juízes e poderosos do reino ficaram contemplando aqueles homens em cujos corpos nenhum poder teve o fogo. O cabelo da cabeça não se lhes tinha queimado, suas roupas não sofreram alterações, nem o cheiro de queimado passou por eles. 95 Exclamou Nabucodonosor: "Bendito seja o Deus de Sidrac, Misac e Abdênago, que enviou seu anjo e libertou seus servos, que puseram nele sua confiança e transgrediram o decreto do rei, preferindo entregar suas vidas a servir e adorar qualquer outro Deus que não fosse o seu Deus. 96 Está, portanto, decretado por mim que todo aquele que, pertencendo a qualquer povo, tribo ou língua, disser uma blasfêmia contra o Deus de Sidrac, Misac e Abdênago, seja cortado em pedaços e sua casa feita estrumeira, porque não há outro deus que tenha esse poder de salvação". 97 O rei então aumentou as honrarias de Sidrac, Misac e Abdênago na província da Babilônia.
Responsório
Dn 3,49.50b.95
℟. O anjo do Senhor desceu para a fornalha
juntamente com Azarias e com seus companheiros
e afastava o fogo deles.
* E o fogo, nem de leve, os tocou nem molestou.
℣. Bendito seja o Deus deles que seu anjo enviou
e libertou seus servidores, que nele confiaram.
* E o fogo.
Segunda Leitura
Dos Sermões de São Leão Magno, papa
(Sermo 4,1-2: PL 54,148-149)
(Séc. V)
O serviço especial do nosso ministério
Embora seja a Igreja de Deus toda ela ordenada em distintos graus, de forma a subsistir a integridade nos diversos membros do Corpo sagrado, todos, no entanto, no dizer do Apóstolo, em Cristo, somos um (cf. Gl 3,28). Ninguém está tão separado do outro pelo ofício, que até a mínima porção não pertença à conexão da cabeça. De fato, na unidade da fé e do batismo, nossa sociedade não conhece discriminações e é geral a dignidade, segundo a palavra do santo apóstolo Pedro: Quais pedras vivas deixai-vos edificar como casas espirituais, um sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais aceitos de Deus por Jesus Cristo (1Pd 2,5); e depois: Vós, porém, raça eleita e sacerdócio real, nação santa, povo adquirido (1Pd 2,9).
A todos os renascidos em Cristo o sinal da cruz torna reis, a unção do Espírito Santo consagra sacerdotes. Por isso, afora o especial serviço de nosso ministério, saibam todos os cristãos espirituais e racionais serem consortes da raça real e do ofício sacerdotal. Que de mais régio do que ser o espírito submisso a Deus, senhor de seu corpo? E que de mais sacerdotal do que entregar ao Senhor a consciência pura e oferecer as hóstias imaculadas da piedade no altar do coração? Sendo obra, pela graça de Deus, comum a todos, contudo, é piedoso e louvável de vossa parte alegrar-vos, como honra vossa, pelo dia de nossa elevação. Que se celebre no Corpo todo da Igreja o único sacramento do sacerdócio. Ao derramar-se o unguento da consagração, este sacramento derramou-se certamente com mais abundância nos membros superiores, mas não com menor liberalidade nos inferiores.
Havendo assim, diletíssimos, pela participação neste dom, grande motivo de alegria em comum, haverá mais verdadeira e mais excelente causa de júbilo, se não pararmos na consideração de nossa pequenez. Com efeito muito mais vantajoso e mais digno será erguermos a força do espírito para contemplar a glória do santíssimo apóstolo Pedro; e, de preferência, neste dia venerar aquele que foi abundantemente regado pela fonte mesma dos carismas, para que, tendo recebido sozinho, nada seja transmitido a alguém sem sua participação. O Verbo feito carne já habitava entre nós. Cristo já se tinha entregado totalmente para restaurar o gênero humano.
Responsório
Mt 16,18; Sl 47(48),9d
℟. Jesus disse, em seguida, a Simão:
Tu és Pedro e sobre esta pedra
eu irei construir minha Igreja.
* E as portas do inferno não irão derrotá-la.
℣. Deus fundou sua cidade e será para sempre.
* E as portas.
Oração
Ó Deus, que jamais permitis que as potências do mal prevaleçam contra a vossa Igreja, fundada sobre a rocha inabalável dos Apóstolos, dai-lhe, pelos méritos do papa São Leão, permanecer firme na verdade e gozar paz para sempre. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Conclusão da Hora
℣. Bendigamos ao Senhor.
℟. Graças a Deus.