Ofício das Leituras, Ofício das Leituras da Memória de São Martinho de Tours

Ofício das Leituras

Ofício das Leituras da Memória de São Martinho de Tours

Quarta-feira, 11 de novembro de 2026

Tempo Comum Branco Memória 4ª semana do Saltério
100%

Nasceu na Panônia cerca do ano 316, de pais pagãos. Depois de receber o batismo e de renunciar à carreira militar, fundou um mosteiro em Ligugé (França), onde levou vida monástica sob a direção de Santo Hilário. Foi depois ordenado sacerdote e, mais tarde, eleito bispo de Tours. Foi modelo insigne de bom pastor. Fundou outros mosteiros, dedicou-se à formação do clero e à evangelização dos pobres. Morreu no ano 397.



℣. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
℟. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

Hino

Ao fiel confessor do Senhor
canta a terra com grande alegria.
Mereceu penetrar, glorioso,
nas alturas do céu, neste dia.

Piedoso, prudente e humilde,
casto e sóbrio, constante na paz,
foi até o momento supremo,
que do corpo a morada desfaz.

Vão, por isso, ao sepulcro do santo
implorar a saúde os doentes
e, invocando o Senhor em seu nome,
são curados e voltam contentes.

Nós, agora, cantamos um hino
ao seu nome, em alegre coral.
Seu convívio possamos um dia
partilhar no festim eternal.

Salvação e poder à Trindade
que as alturas celestes habita,
e governa e dirige este mundo
com ciência e bondade infinita.

Salmodia

Ant.1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
não te esqueças de nenhum de seus favores!

Salmo 102(103)

Hino à misericórdia do Senhor
Graças à misericordiosa compaixão do nosso Deus, o sol que nasce do alto nos veio visitar (cf. Lc 1,78).

I

–1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, *
e todo o meu ser, seu santo nome!
–2 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, *
não te esqueças de nenhum de seus favores!

–3 Pois ele te perdoa toda culpa, *
e cura toda a tua enfermidade;
–4 da sepultura ele salva a tua vida *
e te cerca de carinho e compaixão;
–5 de bens ele sacia tua vida, *
e te tornas sempre jovem como a águia!

–6 O Senhor realiza obras de justiça *
e garante o direito aos oprimidos;
–7 revelou os seus caminhos a Moisés, *
e aos filhos de Israel, seus grandes feitos.

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
não te esqueças de nenhum de seus favores!

Ant.2 Como um pai se compadece de seus filhos,
o Senhor tem compaixão dos que o temem.

II

–8 O Senhor é indulgente, é favorável, *
é paciente, é bondoso e compassivo.
–9 Não fica sempre repetindo as suas queixas, *
nem guarda eternamente o seu rancor.
–10 Não nos trata como exigem nossas faltas, *
nem nos pune em proporção às nossas culpas.

–11 Quanto os céus por sobre a terra se elevam, *
tanto é grande o seu amor aos que o temem;
–12 quanto dista o nascente do poente, *
tanto afasta para longe nossos crimes.
–13 Como um pai se compadece de seus filhos, *
o Senhor tem compaixão dos que o temem.

–14 Porque sabe de que barro somos feitos, *
e se lembra que apenas somos pó.
–15 Os dias do homem se parecem com a erva, *
ela floresce como a flor dos verdes campos;
–16 mas apenas sopra o vento ela se esvai, *
já nem sabemos onde era o seu lugar.

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Como um pai se compadece de seus filhos,
o Senhor tem compaixão dos que o temem.

Ant.3 Obras todas do Senhor, glorificai-o!

III

–17 Mas o amor do Senhor Deus por quem o teme *
é de sempre e perdura para sempre;
– e também sua justiça se estende *
por gerações até os filhos de seus filhos,
–18 aos que guardam fielmente sua Aliança *
e se lembram de cumprir os seus preceitos.

–19 O Senhor pôs o seu trono lá nos céus, *
e abrange o mundo inteiro seu reinado.
=20 Bendizei ao Senhor Deus, seus anjos todos, †
valorosos que cumpris as suas ordens, *
sempre prontos para ouvir a sua voz!

–21 Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, *
seus ministros, que fazeis sua vontade!
=22 Bendizei-o, obras todas do Senhor †
em toda parte onde se estende o seu reinado! *
Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Obras todas do Senhor, glorificai-o!

℣. Fazei-me conhecer vossos caminhos.
℟. E então meditarei vossos prodígios!

Primeira Leitura

Do Livro do Profeta Daniel 5,1-2.5-9.13-17.25–6,1

Sentença de Deus no banquete de Baltasar

Naqueles dias: 5,1 O rei Baltasar ofereceu um grande banquete aos mil dignitários de sua corte, tomando vinho em companhia deles. 2 Já embriagado, Baltasar mandou trazer os vasos de ouro e prata, que seu pai Nabucodonosor tinha tirado do templo de Jerusalém, para beberem deles o rei e os grandes do reino, suas mulheres e concubinas.

5 Naquele mesmo instante, apareceram dedos de mão humana que iam escrevendo, diante do candelabro, sobre a superfície da parede do palácio, e o rei via os dedos da mão que escrevia. 6 Alterou-se o semblante do rei, confundiram-se suas ideias e ele sentiu vacilarem os ossos dos quadris e tremerem os joelhos. 7 O rei então gritou forte, para que fizessem entrar os magos, os caldeus e os astrólogos; e falou à frente dos sábios da Babilônia: “Aquele que souber ler este escrito e me der uma clara interpretação dele, terá roupas de púrpura e porá ao pescoço um colar de ouro e terá o terceiro posto de comando no meu reino”. 8 Então, todos os sábios da corte entraram, mas não conseguiram ler o escrito nem dar a interpretação ao rei; 9 por tal motivo, o rei Baltasar ficou muito perturbado, seu rosto alterou-se e até os altos dignitários ficaram constrangidos.

13 Daniel foi introduzido à presença do rei, e este lhe disse: “És tu Daniel, um dos cativos de Judá, trazidos de Judá pelo rei, meu pai? 14 Ouvi dizer que possuis o espírito dos deuses, e que em ti se acham ciência, entendimento e sabedoria em grau superior. 15 Há pouco, foram trazidos à minha presença sábios e magos para tentarem ler este escrito e interpretá-lo para mim, mas eles não conseguiram entender o sentido das palavras. 16 Ora, ouvi dizer também que sabes decifrar coisas obscuras e deslindar assuntos complicados; se, portanto, conseguires ler o escrito e dar-me sua interpretação, tu te vestirás de púrpura, e levarás ao pescoço um colar de ouro, e serás o terceiro homem do reino. 17 Em resposta, disse Daniel perante o rei: “Fiquem contigo teus presentes e presenteia um outro com tuas honrarias; contudo, vou ler, ó rei, o escrito e fazer-te a interpretação.”

25 Assim se lê o escrito que foi traçado: mâne, técel, pársin. 26 E esta é a explicação das palavras: mâne: Deus contou os dias de teu reinado e deu-o por concluído; técel: foste pesado na balança, e achado com menos peso; pársin: teu reino foi dividido e entregue aos medos e persas. 29 E então, por ordem de Baltasar, Daniel vestiu-se de púrpura, e foi-lhe posto ao pescoço um colar de ouro e proclamado o terceiro homem em ordem de poder no reino. 30 Nessa mesma noite, foi assassinado Baltasar, rei dos Caldeus. 6,1 E Dario, o medo, assumiu a realeza com a idade de sessenta e dois anos.

Responsório

Sl 74(75),6.8.9; Ap 14,9.10

℟. Não levanteis contra os céus a vossa fronte,
pois é Deus quem vai fazer o julgamento:
O Senhor exalta a um e humilha a outro.
* Em sua mão o Senhor Deus tem uma taça
com um vinho de mistura inebriante;
todos os ímpios sobre a terra hão de bebê-lo.
℣. Quem à besta e sua imagem adorar,
beberá o vinho da cólera de Deus. * Em sua mão.

Segunda Leitura

Das Cartas de Sulpício Severo
(Epist. 3,6.9-10.11.14-17.21: SCh 133,336-344)
(Séc. V)

Martinho, pobre e humilde

Martinho soube com muita antecedência o dia da sua morte e comunicou aos irmãos estar iminente a dissolução de seu corpo. Entretanto, surgiu a necessidade de ir à diocese de Candax, pois os eclesiásticos desta Igreja estavam em discórdia. Desejando restabelecer a paz, embora não ignorasse o fim de seus dias, não recusou partir, julgando que seria um excelente fecho de suas obras deixar a Igreja em paz.

Demorou-se por algum tempo na aldeia e na Igreja aonde fora, e a paz voltou para os clérigos. Quando já pensava em regressar ao mosteiro, começaram de repente a faltar-lhe as forças e, chamando os irmãos, disse-lhes que ia morrer. Diante disto todos se entristeceram grandemente, chorando e dizendo, a uma só voz: “Por que, pai, nos abandonas? A quem nos entregas, desolados? Lobos vorazes invadem teu rebanho; quem, ferido o pastor, nos livrará de seus dentes? Sabemos que desejas a Cristo, mas teus prêmios já estão seguros e não diminuirão com o adiamento! Tem compaixão de nós, a quem desamparas!”

Comovido com estas lágrimas, ele que sempre possuíra entranhas de misericórdia, também chorou, segundo contam. Voltando-se então para o Senhor, respondeu aos queixosos somente com estas palavras: “Senhor, se ainda sou necessário a teu povo, não recuso o trabalho. Que se faça tua vontade”.

Que homem incomparável! O trabalho não o vence, a morte não o vencerá! Ele, que não se inclinava para nenhum dos lados, não temeria morrer e nem recusaria viver! No entanto, olhos e mãos sempre erguidos para o céu, não abandonava a oração o espírito invicto; e quando os presbíteros, que se haviam reunido junto dele, lhe pediram aliviar o frágil corpo, virando-o para o lado, disse: “Deixai-me, deixai-me, irmãos, olhar para o céu de preferência à terra, para que o espírito já se dirija ao caminho que o levará ao Senhor”. Dito isto, viu o demônio ali perto. “Por que estás aqui, fera nefasta? Nada em mim, ó cruel, encontrarás! O seio de Abraão me acolhe”. Com estas palavras entregou o espírito ao céu. Martinho, feliz, é recebido no seio de Abraão; Martinho, pobre e humilde, entra rico no céu.

Responsório

℟. Ó bispo São Martinho, realmente homem feliz!
Jamais foi encontrada, em seus lábios, a mentira;
a ninguém ele julgava e nunca condenava.
* Não havia em sua boca outra coisa a não ser
Jesus Cristo, a paz, o amor.
℣. Homem digno de louvor!
Nem trabalho o derrotou, nem a morte o venceria,
nem morrer o apavorou e a viver não recusou.
* Não havia.

Oração

Ó Deus, que fostes glorificado pela vida e a morte do bispo São Martinho, renovai em nossos corações as maravilhas da vossa graça, de modo que nem a morte nem a vida nos possam separar do vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

℣. Bendigamos ao Senhor.
℟. Graças a Deus.