Ofício das Leituras, Ofício das Leituras da Memória de Santa Isabel da Hungria

Ofício das Leituras

Ofício das Leituras da Memória de Santa Isabel da Hungria

Terça-feira, 17 de novembro de 2026

Tempo Comum Branco Memória 1ª semana do Saltério
100%

Era filha de André II, rei da Hungria, tendo nascido no ano 1207. Ainda muito jovem foi dada em matrimônio a Luís IV, landgrave da Turíngia, e teve três filhos. Dedicou-se a uma vida de intensa meditação das realidades celestes e de caridade para com o próximo. Depois da morte de seu marido, renunciou aos seus títulos e bens e construiu um hospital, onde ela mesma servia os enfermos. Morreu em Marburgo no ano 1231.



℣. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
℟. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

Hino

Esta louvável mulher,
por suas obras honrada,
já com os anjos triunfa
pelas virtudes ornada.

A Deus orava com lágrimas
e com fiel coração,
entre jejuns e vigílias,
fiel à santa oração.

Do mundo a glória pisou,
firmando a mente no bem.
E, na perfeita justiça,
dos céus subiu mais além.

Em sua casa ela fez
brilhar as santas ações.
Seu prêmio agora recebe
de Deus nas altas mansões.

Honra, poder, majestade
ao Uno e Trino Senhor.
Ouvindo as preces da santa,
nos una aos santos no Amor.

Salmodia

Ant.1 O Senhor fará justiça para os pobres.

Salmo 9 B(10)

Ação de graças
Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus! (Lc 6,20).

I

–1 Ó Senhor, por que ficais assim tão longe, *
e, no tempo da aflição, vos escondeis,
–2 enquanto o pecador se ensoberbece, *
o pobre sofre e cai no laço do malvado?

–3 O ímpio se gloria em seus excessos, *
blasfema o avarento e vos despreza;
–4 em seu orgulho ele diz: “Não há castigo! *
Deus não existe!” – 5 É isto mesmo que ele pensa.

= Prospera a sua vida em todo tempo; †
vossos juízos estão longe de sua mente; *
ele vive desprezando os seus rivais.
–6 No seu íntimo ele pensa: “Estou seguro! *
Nunca jamais me atingirá desgraça alguma!”

–7 Só há maldade e violência em sua boca, *
em sua língua, só mentira e falsidade.
–8 Arma emboscadas nas saídas das aldeias, *
mata inocentes em lugares escondidos.

–9 Com seus olhos ele espreita o indefeso, *
como um leão que se esconde atrás da moita;
– assalta o homem infeliz para prendê-lo, *
agarra o pobre e o arrasta em sua rede.

–10 Ele se curva, põe-se rente sobre o chão, *
e o indefeso tomba e cai em suas garras.
–11 Pensa consigo: “O Senhor se esquece dele, *
esconde o rosto e já não vê o que se passa!”

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. O Senhor fará justiça para os pobres.

Ant.2 Vós, Senhor, vedes a dor e o sofrimento.

II

–12 Levantai-vos, ó Senhor, erguei a mão! *
Não esqueçais os vossos pobres para sempre!
–13 Por que o ímpio vos despreza desse modo? *
Por que diz no coração: “Deus não castiga?”

–14 Vós, porém, vedes a dor e o sofrimento, *
vós olhais e tomais tudo em vossas mãos!
– A vós o pobre se abandona confiante, *
sois dos órfãos vigilante protetor.

–15 Quebrai o braço do injusto e do malvado! *
Castigai sua malícia e desfazei-a!
–16 Deus é Rei durante os séculos eternos. *
Desapareçam desta terra os malfeitores!

–17 Escutastes os desejos dos pequenos, *
seu coração fortalecestes e os ouvistes,
=18 para que os órfãos e oprimidos deste mundo †
tenham em vós o defensor de seus direitos, *
e o homem terreno nunca mais cause terror!

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Vós, Senhor, vedes a dor e o sofrimento.

Ant.3 As palavras do Senhor são verdadeiras
como a prata depurada pelo fogo.

Salmo 11(12)

Oração contra as más línguas
Porque éramos pobres, o Pai enviou o seu Filho (Sto. Agostinho).

–2 Senhor, salvai-nos! Já não há um homem bom! *
Não há mais fidelidade em meio aos homens!
–3 Cada um só diz mentiras a seu próximo, *
com língua falsa e coração enganador.

–4 Senhor, calai todas as bocas mentirosas *
e a língua dos que falam com soberba,
–5 dos que dizem: “Nossa língua é nossa força! *
Nossos lábios são por nós! – Quem nos domina?”

–6 “Por causa da aflição dos pequeninos, *
do clamor dos infelizes e dos pobres,
– agora mesmo me erguerei, diz o Senhor, *
e darei a salvação aos que a desejam!”

=7 As palavras do Senhor são verdadeiras, †
como a prata totalmente depurada, *
sete vezes depurada pelo fogo.

–8 Vós, porém, ó Senhor Deus, nos guardareis *
para sempre, nos livrando desta raça!
– Em toda a parte os malvados andam soltos, *
porque se exalta entre os homens a baixeza.

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. As palavras do Senhor são verdadeiras
como a prata depurada pelo fogo.

℣. Deus dirige os humildes na justiça.
℟. E aos pobres ele ensina o seu caminho.

Primeira Leitura

Do Livro do Profeta Zacarias 9,1–10,2

Promessa de salvação a Jerusalém

9,1 "A palavra do Senhor está na terra de Hadrac e de Damasco onde ele repousa, pois o Senhor tem olhos em Aram, como em todas as tribos de Israel; 2 em Emat também, junto à fronteira, em Tiro e Sidônia, a cidade douta. 3 Tiro edificou sua fortificação, amontoou prata como pó e ouro como terra da rua. 4 Eis que o Senhor irá conquistá-la e abaterá seu orgulho no mar; e ela será devorada pelo fogo. 5 Ascalon, à vista disso, terá medo; e Gaza sofrerá uma grande aflição, e Acaron também, por ver suas esperanças frustradas; o rei de Gaza morrerá e Ascalon se despovoará. 6 Ocuparão Azoto os estrangeiros e eu destruirei a soberba do povo filisteu, 7 eu o farei deitar sangue pela boca e expelir as comidas sacrílegas por entre os dentes, e ele por fim será submisso ao nosso Deus e será como um guia em Judá, e Acaron como um jebuseu. 8 Cercarei minha casa como um fortim contra os que vão e os que vêm; não passará, além deles, um perseguidor, pois agora vigio com meus próprios olhos.

9 Exulta, cidade de Sião! Rejubila, cidade de Jerusalém. Eis que vem teu rei ao teu encontro, ele é justo, ele salva; é humilde e vem montado num jumento, um potro, cria de jumenta. 10 Eliminarei os carros de Efraim, os cavalos de Jerusalém; ele quebrará o arco de guerreiro, anunciará a paz às nações. Seu domínio se estenderá de um mar a outro mar, e desde o Rio até aos confins da terra. 11 Quanto a ti, pelo teu pacto de sangue farei sair da fossa teus cativos, da fossa sem água. 12 Retornai à fortaleza, ó vós que estais presos à esperança; hoje mesmo anunciarei: vou recompensar no dobro. 13 Estendi a Judá por meu arco, cumulei de bens Efraim; levantarei teus filhos, Sião, contra os teus, Grécia, e farei de ti uma espada de valentes. 14 O Senhor será visto sobre eles, disparando o seu dardo como o raio; o Senhor Deus fará soar a trombeta e caminhará nas tempestades do Sul. 15 O Senhor dos exércitos há de protegê-los, e eles tomarão alimento, pesarão as pedras de funda, beberão e se agitarão como ébrios de vinho, repletos como taças e como cantos do altar. 16 O Senhor, seu Deus, há de salvá-los naquele dia, como rebanho de seu povo, porque as pedras preciosas da coroa brilharão sobre essa terra. 17 Que felicidade, a desse povo, e que belo destino! O trigo fortificando seus jovens e o vinho, suas jovens. 10,1 Pedi todos a chuva ao Senhor, na época das águas tardias. O Senhor lança relâmpagos, manda cair a chuva e faz crescer para todos a relva do campo. 2 Os ídolos têm palavras vãs, e os adivinhos, visões mentirosas, eles dão falsas explicações dos sonhos, e a sua consolação é inútil; por isso vagueia o povo como um rebanho, sofrendo por falta de pastores.

Responsório

Zc 9,9; Jo 12,14

℟. Alegra-te, ó filha de Sião,
Jerusalém, exulta e canta de alegria:
* Vem a ti o teu rei justo e salvador.
Vem pobre e montado em jumento
e sobre o filho da jumenta, o jumentinho.
℣. Jesus, tendo encontrado um jumentinho,
montou nele, pois assim está escrito: * Vem a ti.

Segunda Leitura

Da Carta escrita por Conrado de Marburgo, diretor espiritual de Santa Isabel
(Ad pontificem anno 1232: A. Wys, Hesisches Urkunden-buch I, Leipzig 1879,31-35)
(Séc. XIII)

Isabel conheceu e amou Cristo nos pobres

Muito cedo começou Isabel a possuir grandes virtudes. Do mesmo modo como a vida inteira foi a consoladora dos pobres, era também desde então a providência dos famintos. Determinou a construção de um hospital, perto de um castelo de sua propriedade, onde recolheu muitos enfermos e enfraquecidos. A todos que ali iam pedir esmola, distribuiu liberalmente suas dádivas; e não só ali, mas em todo o território sob a jurisdição de seu marido. Destinou para isto a renda de quatro dos principados do esposo, e foi ao ponto de mandar vender seus adornos e vestes preciosas em benefício dos pobres.

Tinha o costume de, duas vezes ao dia, pela manhã e à tarde, visitar pessoalmente seus doentes, e chegava mesmo a tratar com as próprias mãos os mais repelentes. A alguns deles alimentava, a outros preparava o leito, a outros até carregava nos ombros. Assim realizava muitas obras de bondade. Em tudo isto seu marido, de feliz memória, não se mostrava contrariado. Contudo, após a morte deste, tendendo para a máxima perfeição, rogou-me com lágrimas que lhe permitisse ir mendigar de porta em porta.

Numa Sexta-feira Santa, desnudados todos os altares, em uma capela de seu castelo onde acolhera os frades franciscanos, colocou as mãos sobre o altar e, na presença de umas poucas pessoas, renunciou à própria vontade e a todas as pompas mundanas e a tudo quanto o Salvador no evangelho aconselhara abandonar. Feito isto, vendo que poderia deixar-se absorver pelo tumulto do século e glória mundana, naquela terra onde vivera com esplendor em vida do esposo, seguiu-me contra minha vontade a Marburgo. Nesta cidade construiu um hospital para doentes e necessitados, chamando à sua mesa os mais miseráveis e desprezados. Além desta atuação operosa, digo-o diante de Deus, raramente vi mulher mais contemplativa. Algumas pessoas e mesmo religiosos, na hora de sua oração particular, viram muitas vezes seu rosto brilhar maravilhosamente e como que raios de sol jorrarem de seus olhos.

Antes da morte ouvi-a em confissão. Indagando-lhe, então, qual o seu desejo em relação ao que possuía e a seus móveis, respondeu que tudo quanto parecia possuir já pertencia aos pobres e pediu-me distribuir-lhes tudo, reservando apenas a túnica vulgar que vestia e com a qual queria ser sepultada. Depois, recebeu o corpo do Senhor e, em seguida, até à hora de Vésperas falou bastante sobre as ótimas coisas que ouvira no sermão. Finalmente, com toda devoção, recomendando a Deus todos os presentes, expirou como se adormecesse suavemente.

Responsório

Jt 15,11(Vg); At 10,4

℟. Agiste com coragem, teu coração não se abalou,
pois amaste a castidade.
* Por isso hás de ser bendita eternamente.
℣. Tuas preces e esmolas se elevaram até Deus
como oferta de incenso. * Por isso.

Oração

Ó Deus, que destes a Santa Isabel da Hungria reconhecer e venerar o Cristo nos pobres, concedei-nos, por sua intercessão, servir os pobres e aflitos com incansável caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

℣. Bendigamos ao Senhor.
℟. Graças a Deus.