Imagem horizontal representando São Cornélio e São Cipriano
Celebração de santos

São Cornélio e São Cipriano

Papa e bispo, mártires e defensores da unidade

Cornélio de Roma e Cipriano de Cartago enfrentaram perseguições e crises internas da Igreja, defendendo conjuntamente a reconciliação dos penitentes e a unidade eclesial.

Em poucas palavras

Sobre São Cornélio e São Cipriano

Cornélio de Roma e Cipriano de Cartago enfrentaram perseguições e crises internas da Igreja, defendendo conjuntamente a reconciliação dos penitentes e a unidade eclesial.

Marcos da trajetória

Linha do tempo

Caminho espiritual

Virtudes em destaque

  • unidade
  • misericórdia
  • coragem

São Cornélio

Cornélio nasceu em Roma. Foi eleito para o pontificado depois de um período vago na cátedra de São Pedro, devido à violenta perseguição imposta pelo imperador Décio. O papa Cornélio foi eleito quase por unanimidade, menos por Novaciano, que esperava ser o sucessor, martirizado por aquele cruel tirano. Assim, Novaciano consagrou-se bispo e proclamou-se papa, isto é, antipapa. Nessa condição, criou-se o primeiro cisma da Igreja.

A Igreja debatia internamente para tentar uma solução definitiva quanto à conduta a ser adotada em relação a um dos seus maiores problemas da época, referente aos ‘lapsos’, nome dado aos sacerdotes e fiéis que renegavam a fé e separavam-se da Igreja durante as perseguições que se impunham aos cristãos.

Segundo os partidários de Novaciano, Cornélio teria adotado um discurso e uma postura muito indulgente, boa e compreensiva para com os desertores da fé católica. Atitudes que lhe valeram grandes atribulações e incompreensões. Apesar de toda essa oposição, contou sempre com o apoio incondicional e fiel do bispo Cipriano de Cartago, Argélia, norte da África.

Entretanto, o imperador Décio morreu em combate, sendo sucedido por Galo, que voltou com as perseguições. Assim, o papa Cornélio acabou preso e exilado para um lugar que hoje se chama Civitavecchia, em Roma.

Foi no exílio que o papa Cornélio passou os últimos dias da sua vida. Encontrava um pouco de alegria nas cartas que recebia do bispo Cipriano, seu admirador e amigo de fé, muito preocupado em mandar-lhe algumas palavras de consolo.

Morreu em junho de 253, sendo sentenciado ao martírio por ordem daquele imperador, por não aceitar prestar culto aos deuses pagãos. Foi sepultado no Cemitério de São Calixto. A festa litúrgica do santo papa Cornélio foi colocada, no calendário da Igreja, no dia 16 de setembro, junto com a de são Cipriano, que depois também foi martirizado pela fé em Cristo.

São Cipriano

Sobre São Cipriano de Cartago, deve-se destacar que ele foi realmente bispo do Cartago, no Norte da África entre 249 e 258. Deixou numerosos escritos teológicos, hoje em dia editados, que nada têm a ver com magia ou ocultismo. Gozou de grande fama e estima após a sua morte, pois foi um mártir heroico, que marcou a Igreja do seu tempo.

São Cipriano foi bispo do Cartago, no Norte da África entre 249 e 258.

Nascido em Cartago, no seio de uma rica família pagã, depois de uma juventude dissipada, Cipriano se converte ao cristianismo aos 35 anos. Ele mesmo narra seu itinerário espiritual: “Quando ainda jazia como em uma noite escura, me parecia sumamente difícil e fatigoso realizar o que me propunha a misericórdia de Deus.

Estava ligado aos muitíssimos erros de minha vida passada, e não cria que pudesse libertar-me, até o ponto de que seguia os vícios e favorecia meus maus desejo. Mas depois, com a ajuda da água regeneradora, ficou lavada a miséria de minha vida precedente; uma luz soberana se difundiu em meu coração, um segundo nascimento me regenerou em um ser totalmente novo. De maneira maravilhosa começou a dissipar-se toda dúvida. Compreendia claramente que era terreno o que antes vivia em mim, na escravidão dos vícios da carne, e pelo contrário, era divino e celestial o que o Espírito Santo já havia gerado em mim” («A Donato», 3-4).

Logo depois de se converter, Cipriano foi ordenado sacerdote e em seguida se tornou bispo. Sofreu perseguições, mas se manteve sempre disciplinado em sua comunidade cristã. Nesse mesmo tempo de desafios evangelizadores e disciplinares, a África foi atingida por uma grave epidemia e que gerou questões teológicas angustiantes, tanto na comunidade em questão quanto em relação aos pagãos que ainda eram muitos.

Cipriano, ficou conhecido por sua fidelidade à Igreja e por seus textos teológicos onde defendeu com firmeza o bom comportamento dos fiéis. De fato, a Igreja é seu tema preferido. Distingue entre Igreja visível, hierárquica, e Igreja invisível, mística, mas afirma com força que a Igreja é uma só, fundada sobre Pedro.

Por várias vezes repete que “quem abandona a cátedra de Pedro, sobre a qual está fundada a Igreja, fica na ilusão de permanecer na Igreja” (A unidade da Igreja Católica, 4). Ainda em tom de autoridade, afirma que “fora da Igreja não há salvação” (Epístola 4, 4 e 73,21), e que “não pode ter Deus como Pai que não tem a Igreja como mãe” (A unidade da Igreja Católica, 4). Característica irrenunciável da Igreja é a unidade, simbolizada pela túnica de Cristo sem costura (ibidem, 7): unidade que, segundo diz, encontra seu fundamento em Pedro (ibidem, 4) e sua perfeita realização na Eucaristia (Epístola 63, 13). “Só há um Deus, um só Cristo», exorta Cipriano, «uma só é sua Igreja, uma só fé, um só povo cristão, firmemente unido pelo fundamento da concórdia: e não pode separar-se o que por natureza é um” (A unidade da Igreja Católica, 23).

Além dessa fidelidade incondicional, Cipriano tem uma forte opinião sobre a oração. “Nossa oração é pública e comunitária e, quando rezamos, não rezamos só por nós, mas por todo o povo, pois somos uma só coisa com todo o povo” (A oração do Senhor, 8). Deste modo, oração pessoal e litúrgica se apresentam firmemente unidas entre si. Sua unidade se baseia no fato de que respondem à mesma Palavra de Deus. O cristão não diz “Pai meu”, mas “Pai nosso”, inclusive, no segredo de seu quarto fechado, pois sabe que em todo lugar, em toda circunstância, é membro de um mesmo Corpo. Assim, Cipriano- “o bispo abençoado” como era chamado- deixou claro suas origens da fecunda tradição teológico-espiritual que está no coração. Coração este que é considerado o local mais privilegiado da oração.

Para rezar

Oração

São Cornélio e São Cipriano, intercedei por nós, para que permaneçamos fiéis a Cristo e cresçamos no amor a Deus e ao próximo. Amém.

Fontes e referências editoriais
  1. Templário de Maria: São Cornélio e São Cipriano —