Novena a Nossa Senhora do Brasil
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Dia 3 de 9

Dia 3 — Novena a Nossa Senhora do Brasil

Companheirismo espiritual

Eis aqui a serva do Senhor! (Lc 1, 38) Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo a quem amava, disse à mãe: ‘Mulher, eis teu filho!’ Depois disse ao discípulo: ‘Eis tua mãe!’ (Jo 19, 25-27) Não seria errado…

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Orações do dia 3

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Orações

Companheirismo espiritual

Eis aqui a serva do Senhor! (Lc 1, 38) Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo a quem amava, disse à mãe: ‘Mulher, eis teu filho!’ Depois disse ao discípulo: ‘Eis tua mãe!’ (Jo 19, 25-27)

Não seria errado dizer que a santidade consiste na intimidade com Deus – o maior dos mandamentos, afinal, é o “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento”. Mas estaria equivocada toda noção de amor a Deus que pretendesse excluir ou preterir o amor a todos os outros homens e mulheres, filhos do mesmo Pai: o próprio Jesus, afinal, relembra que o segundo mandamento, semelhante ao primeiro e com o qual compõe uma unidade de que “dependem toda a lei e os profetas”, é aquele “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22, 3740). São João é enfático neste ponto: “Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê” (1Jo 4, 20). Em princípio, a Providência divina poderia ter disposto a grande história da salvação de tal forma que cada homem percorresse as sendas de sua vida terrena sem sofrer nem exercer influência sobre seus semelhantes – e contudo “aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente.”[6] À luz desta verdade de nossa fé, comentava um monge trapista, revisitando as primeiras reminiscências sobre a aquisição de sua consciência moral: “uma vez que a ninguém é possível, nem jamais seria, viver apenas por si próprio e para si próprio, os destinos de milhares de outras pessoas estavam fadados a ser afetados – alguns remotamente, mas outros de forma muito direta e imediata – pelas minhas próprias escolhas e decisões e desejos, como também a minha própria vida haveria de ser moldada e modificada de acordo com a deles. Eu entrava num universo moral em que estaria em relação com todos os demais seres racionais, e no qual multidões inteiras de nós, densas quais enxames de abelhas, arrastar-se-iam reciprocamente em direção a um dado fim comum de bem ou mal, paz ou guerra”[7]. É este companheirismo espiritual o ponto em que se tangenciam a Terceira Palavra de Jesus e a de Maria. No caso de Nosso Senhor, esta Palavra constituiu em sua Mãe um novo vínculo de maternidade – já não carnal, mas espiritual. E ao falar em termos universais (“Mulher, eis teu filho!”, e não, como seria mais intuitivo, “Mãe, eis aí João!”), Jesus denotava a universalidade do vínculo então instituído: Maria passava a ser mãe na fé de todos discípulos de seu Filho. Aquela mesma Mãe da Alegria que em Belém dera à luz a Cristo, em parto virginal e indolor, tornava-se agora a Mãe das Dores, parturindo entre prantos e gemidos a cada cristão. Ao receber de seu Filho este novo encargo, Maria deve certamente ter-se lembrado de sua própria Terceira Palavra – aquele Ecce ancilla Domini, “Eis aqui a serva do Senhor”, com que manifestara não tanto uma aceitação passiva dos desígnios divinos a seu respeito, quanto uma prontidão ativa a engajar-se no serviço dos demais. Tanto é assim que, tão logo respondeu ao anjo, Nossa Senhora, ao invés de reclamar atenção para si espalhando a notícia de que seria a Mãe do Messias, “levantou-se e foi apressadamente” numa viagem de cinco dias através das montanhas à casa de sua parenta Isabel, para acudir-lhe às necessidades (Lc 1, 39). E a resposta da anciã à sua saudação, chamando-a agora de “a mãe do meu Senhor” (Lc 1, 43), já prenunciava a nova situação de cada filho de Deus perante aquela a quem Ele tomara por mãe. Um bom jeito de fomentarmos a consciência desse parentesco espiritual para com Nossa Mãe Santíssima e seu Filho Jesus (e, por consequência, para com cada homem e mulher), é rezarmos assiduamente o Santo Rosário. A repetição das Ave-Marias é tudo menos estéril e monótona: pois um filho pode dizer “eu te amo” muitas vezes à sua mãe – e ainda assim cada repetição será, por força das novas circunstâncias ambientes, uma singular reafirmação de seu amor. ______ 6. Vaticano II, Lumen Gentium, n. 9. 7. Thomas Merton, The Seven Storey Mountain, 1, 1, 2.

Sinal da Cruz

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Maria, Exemplo de Companheirismo Espiritual

Ó prestantíssima Virgem Maria, que em vossa singular eleição divina Vos dignastes humilhar-Vos no serviço incansável aos demais, e fostes assim exaltada pelo Senhor, e que recebestes, daquele que gerastes na carne, o ofício de gerá-lo em cada cristão pela fé, eu Vos suplico a graça de enxergar-me corresponsável pelo bem-estar terreno e pela salvação eterna de todos quantos Deus chama a ser seus filhos. Obtende esta mesma visão sobrenatural a todos os que já possuem a fé no Cristo, para que sirvam com alegria aos que ainda a não têm. Amém.

Oração

Rogai por nós, Nossa Senhora do Brasil, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Sinal da Cruz

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

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