Orações
Companheirismo espiritual
Eis aqui a serva do Senhor! (Lc 1, 38) Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo a quem amava, disse à mãe: ‘Mulher, eis teu filho!’ Depois disse ao discípulo: ‘Eis tua mãe!’ (Jo 19, 25-27)
Não seria errado dizer que a santidade consiste na intimidade com Deus – o maior dos mandamentos, afinal, é o “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento”. Mas estaria equivocada toda noção de amor a Deus que pretendesse excluir ou preterir o amor a todos os outros homens e mulheres, filhos do mesmo Pai: o próprio Jesus, afinal, relembra que o segundo mandamento, semelhante ao primeiro e com o qual compõe uma unidade de que “dependem toda a lei e os profetas”, é aquele “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22, 3740). São João é enfático neste ponto: “Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê” (1Jo 4, 20). Em princípio, a Providência divina poderia ter disposto a grande história da salvação de tal forma que cada homem percorresse as sendas de sua vida terrena sem sofrer nem exercer influência sobre seus semelhantes – e contudo “aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente.”[6] À luz desta verdade de nossa fé, comentava um monge trapista, revisitando as primeiras reminiscências sobre a aquisição de sua consciência moral: “uma vez que a ninguém é possível, nem jamais seria, viver apenas por si próprio e para si próprio, os destinos de milhares de outras pessoas estavam fadados a ser afetados – alguns remotamente, mas outros de forma muito direta e imediata – pelas minhas próprias escolhas e decisões e desejos, como também a minha própria vida haveria de ser moldada e modificada de acordo com a deles. Eu entrava num universo moral em que estaria em relação com todos os demais seres racionais, e no qual multidões inteiras de nós, densas quais enxames de abelhas, arrastar-se-iam reciprocamente em direção a um dado fim comum de bem ou mal, paz ou guerra”[7]. É este companheirismo espiritual o ponto em que se tangenciam a Terceira Palavra de Jesus e a de Maria. No caso de Nosso Senhor, esta Palavra constituiu em sua Mãe um novo vínculo de maternidade – já não carnal, mas espiritual. E ao falar em termos universais (“Mulher, eis teu filho!”, e não, como seria mais intuitivo, “Mãe, eis aí João!”), Jesus denotava a universalidade do vínculo então instituído: Maria passava a ser mãe na fé de todos discípulos de seu Filho. Aquela mesma Mãe da Alegria que em Belém dera à luz a Cristo, em parto virginal e indolor, tornava-se agora a Mãe das Dores, parturindo entre prantos e gemidos a cada cristão. Ao receber de seu Filho este novo encargo, Maria deve certamente ter-se lembrado de sua própria Terceira Palavra – aquele Ecce ancilla Domini, “Eis aqui a serva do Senhor”, com que manifestara não tanto uma aceitação passiva dos desígnios divinos a seu respeito, quanto uma prontidão ativa a engajar-se no serviço dos demais. Tanto é assim que, tão logo respondeu ao anjo, Nossa Senhora, ao invés de reclamar atenção para si espalhando a notícia de que seria a Mãe do Messias, “levantou-se e foi apressadamente” numa viagem de cinco dias através das montanhas à casa de sua parenta Isabel, para acudir-lhe às necessidades (Lc 1, 39). E a resposta da anciã à sua saudação, chamando-a agora de “a mãe do meu Senhor” (Lc 1, 43), já prenunciava a nova situação de cada filho de Deus perante aquela a quem Ele tomara por mãe. Um bom jeito de fomentarmos a consciência desse parentesco espiritual para com Nossa Mãe Santíssima e seu Filho Jesus (e, por consequência, para com cada homem e mulher), é rezarmos assiduamente o Santo Rosário. A repetição das Ave-Marias é tudo menos estéril e monótona: pois um filho pode dizer “eu te amo” muitas vezes à sua mãe – e ainda assim cada repetição será, por força das novas circunstâncias ambientes, uma singular reafirmação de seu amor. ______ 6. Vaticano II, Lumen Gentium, n. 9. 7. Thomas Merton, The Seven Storey Mountain, 1, 1, 2.
Sinal da Cruz Signum Crucis
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Amen.
Maria, Exemplo de Companheirismo Espiritual Maria, Exemplo de Companheirismo Espiritual
Ó prestantíssima Virgem Maria, que em vossa singular eleição divina Vos dignastes humilhar-Vos no serviço incansável aos demais, e fostes assim exaltada pelo Senhor, e que recebestes, daquele que gerastes na carne, o ofício de gerá-lo em cada cristão pela fé, eu Vos suplico a graça de enxergar-me corresponsável pelo bem-estar terreno e pela salvação eterna de todos quantos Deus chama a ser seus filhos. Obtende esta mesma visão sobrenatural a todos os que já possuem a fé no Cristo, para que sirvam com alegria aos que ainda a não têm. Amém.
Ó prestantíssima Virgem Maria, que em vossa singular eleição divina Vos dignastes humilhar-Vos no serviço incansável aos demais, e fostes assim exaltada pelo Senhor, e que recebestes, daquele que gerastes na carne, o ofício de gerá-lo em cada cristão pela fé, eu Vos suplico a graça de enxergar-me corresponsável pelo bem-estar terreno e pela salvação eterna de todos quantos Deus chama a ser seus filhos. Obtende esta mesma visão sobrenatural a todos os que já possuem a fé no Cristo, para que sirvam com alegria aos que ainda a não têm. Amém.
Oração Oração
Rogai por nós, Nossa Senhora do Brasil, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Rogai por nós, Nossa Senhora do Brasil, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Sinal da Cruz Signum Crucis
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Amen.