Novena a Nossa Senhora do Brasil
O evangelho segundo São Lucas conta que, quando Jesus nasceu, seus pais receberam a visita inesperada de alguns pastores, os quais anunciaram que haviam sido visitados por um anjo, do qual haviam escutado estas…
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O evangelho segundo São Lucas conta que, quando Jesus nasceu, seus pais receberam a visita inesperada de alguns pastores, os quais anunciaram que haviam sido visitados por um anjo, do qual haviam escutado estas palavras: “Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!” (2,10-11). O Evangelista acrescenta: “todos os que ouviram os pastores ficavam admirados com aquilo que contavam. Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração” (2,18-19). Que grande lição de sabedoria nos deu a Virgem Maria! Enquanto alguns apenas se admiram com as surpresas que a vida oferece, Ela, sabendo que nada escapa à Providência Divina, procura compreender o que Deus, através delas, está dizendo. Pois o Criador, como ensina o Salmo, não fala somente por meio de palavras: “Não são discursos nem frases ou palavras, nem são vozes que possam ser ouvidas; seu som ressoa e se espalha em toda a terra, chega aos confins do universo a sua voz” (cf. Sl 18 A (19),2-10). Deus, que não muda, continua a nos falar de vários modos. E, nestes últimos tempos (cf. Hb 1, 1-2), nos fala de modo especial através da Predileta de seu Coração, a Santíssima Virgem Maria. Cada título, cada aparição, cada novo acontecimento envolvente a Mãe de Deus é repleto de significados e tem muito a dizer, sobretudo àqueles que por algum motivo estão a eles mais ligados. Podemos estar certos, então, de que o misterioso título de Nossa Senhora do Brasil tem algo de especial a nos ensinar. Para descobrir esse tesouro, é necessário aprender sua história.
Tudo inicia com uma escultura em madeira de 1,5 metros da Virgem Maria com o Menino Jesus. A Virgem tem traços indígenas e o Menino, traços mestiços. Ambos trazem corações feitos em ouro: a imagem foi originalmente conhecida como Nossa Senhora dos Divinos Corações. Uma antiga tradição conta que ela fora encomendada a um índio artesão por São José de Anchieta (1534-1597), quando este visitou Pernambuco após sua estadia no Espírito Santo, onde fundara a primeira capela dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. A imagem teria permanecido em uma aldeia indígena até meados de 1630 e desaparecido durante os ataques dos holandeses calvinistas no Nordeste – em Pernambuco, sua ocupação se estendeu até 1654. A Santa, que entre os indígenas havia adquirido certa fama de milagrosa, reaparece na história com os Frades Capuchinhos, os quais, tendo-a conhecido e escolhido como padroeira da recém fundada Prefeitura Apostólica de Pernambuco, entronizaram-na na famosa igreja de Nossa Senhora da Penha, no Recife. A Prefeitura foi criada em 1725 – em 1709, Capuchinhos italianos haviam retomado a Missão da Ordem na Penha, após anos de ocupação francesa. Em 1828, por ocasião de tumultos e profanações que aconteciam em Pernambuco, o Frei Joaquim d’Afragola, fervoroso devoto da imagem, enviou-a em segredo a seu convento de origem em Nápoles, na Itália. Lá ela permaneceu por muito tempo na alfândega. Os frades não sabiam do que se tratava e, por falta de recursos para pagar os impostos, não retiraram aquela pesada caixa que lhes era destinada. A imagem apenas deixou a alfândega por iniciativa dos guardas que, curiosos, abriram a caixa e, impressionados, arcaram com os custos para liberá-la. Ela foi instalada no convento de Santo Efrém, onde os capuchinhos a expuseram para veneração dos fiéis. Foi lá que, por conta de sua origem, a imagem de Nossa Senhora dos Divinos Corações começou a ser chamada de Madonna del Brasile – isto é, Nossa Senhora do Brasil – e Virgem Mãe de Deus Brasileira. A imagem, à qual foram atribuídos vários milagres pelo povo napolitano, tornou-se famosa quando, na madrugada de 22 de fevereiro de 1840, sobreviveu ilesa a um incêndio que destruiu a igreja de santo Efrém. O povo napolitano acorreu para vê-la intacta em meio às ruínas fumegantes e o prodígio se espalhou pela Itália. A igreja foi reconstruída e o local tornou-se meta de peregrinação: nasceu assim a devoção a Nossa Senhora do Brasil. Ao longo dos anos, o aumento dos milagres relatados fez com que a própria Santa Sé recomendasse a coroação da Santa com o título que hoje conhecemos: oficializava-se, então, o título de Nossa Senhora do Brasil. Em 1867, uma reorganização dos capuchinhos fez com que a imagem fosse transferida a outra igreja de Nápoles, também esta dedicada a Santo Efrém. Todavia, tanto a imagem como esta nova devoção eram desconhecidas dos brasileiros. Foi apenas em 1924, por iniciativa do bispo D. Frederico de Souza Costa, que a história chegou a nós. Tendo ouvido falar da Santa, D. Frederico tratou de conhecê-la e dá-la a conhecer. O culto a Nossa Senhora do Brasil começou no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e em São Paulo. Em 17 de dezembro de 1933 foi inaugurada na Urca, no Rio de Janeiro, a primeira igreja a ela consagrada. Em 1940, o arcebispo D. José de Afonseca e Silva criou, no Jardim América, em São Paulo, a paróquia a ela dedicada e, dois anos depois, iniciou-se a construção da igreja matriz. Desde então, foram muitas as tentativas para trazer a imagem de volta a sua terra de origem – todas, infelizmente, inexitosas. De fato, seria para nós brasileiros uma grande honra e fonte de graças ter a presença física da Santa conosco, mas isso, no fundo, não é o essencial: o mais importante é sabermos extrair de todos estes acontecimentos as riquezas espirituais que Deus nos quer comunicar. Quantas são as coisas a serem tiradas dessa história tão singela, que poderíamos chamar de síntese da identidade e missão brasileiras! Diz Jesus que “todo escriba que se torna discípulo do Reino dos Céus é como um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas” (Mt 13,52). Vejamos, então, algumas das lições que podemos extrair da história de Nossa Senhora do Brasil, que foi intitulada Padroeira da Família Brasileira.
Se pensássemos como os poderosos deste mundo, provavelmente desprezaríamos uma devoção cuja origem é tão simplória: passaram-se já vários séculos, e tão poucos a conhecem! Ademais, a Senhora do Brasil foi assim chamada por estrangeiros, e por muito tempo não havia sequer um brasileiro a conhecê-la! E, no entanto, que erro cometeríamos… Pensemos bem: não foi assim que Deus sempre agiu na História – Ele, que escolheu fazer de Seu Filho eterno, destinado a ser o Novo Adão e Rei do Universo, o filho de um humilde carpinteiro de uma província esquecida nos confins do Império Romano, desprovida de qualquer importância – não à toa Natanael havia questionado: “de Nazaré pode sair algo de bom?” (Jo 1,46); não seria coerente que a Virgem Puríssima, por meio da qual Deus “derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes” (Lc 1,52), quisesse dar-se a nós dessa maneira? Que grande sinal de predileção, portanto, é a misteriosa pequenez com a qual Deus conduz o povo brasileiro!
De fato, coisa semelhante se deu com a imagem de Nossa Padroeira, a Senhora Aparecida: enquanto outras Terras narram aparições e eventos extraordinários, a Virgem Maria decidiu nos visitar por meio de uma pequenina imagem encontrada no leito de um rio. Eis a sábia lógica divina: Suas grandes obras costumam iniciar na humildade do silêncio e da pobreza, para depois crescerem e se tornarem gloriosas. Também a nós, brasileiros, Deus parece conceder tal vocação! Sim, devemos buscar com todas as forças, por meio do trabalho e da oração ordinários, a santificação de nossos pobres corações, para que, à medida que estes se conformem aos Divinos Corações de Jesus e Maria, também o nosso grande e sofrido Brasil, Terra de Santa Cruz, alcance a glória à qual está destinado e venha a ser luz para o mundo inteiro. A história de Nossa Senhora do Brasil parece nos ensinar essa lição. Ademais, que tal título tenha nascido em terra estrangeira é também fonte de precioso ensinamento. A fé cristã, à diferença das tantas crenças surgidas ao longo da História, não é fruto do engenho humano, mas dom inimaginável de Deus para a salvação dos homens. Nós não a criamos, mas a recebemos e acolhemos com docilidade e gratidão. De fato, convém saber que todas as heresias e males que acometem nossa amada Igreja nascem quando nós, ao invés de sermos transformados à imagem de Cristo, procuramos deformá-lo à imagem de nossos caprichos. Que Nossa Senhora do Brasil tenha sido assim chamada por italianos é mais uma prova de que não somos nós que queremos nos promover, mas de que é Deus a querer nos presentear com o amor de Maria. O mesmo ensina a imprevista história da devoção: não foi planejada foi cristãos devotos, mas tecida pela Providência ao longo dos séculos. Lembremo-nos, porém, de que “o amor de Cristo nos impele” – caritas Christi urget nos (2Cor 5,14): suas bênçãos requerem aquela alegre e esforçada correspondência, pois amor com amor se paga. Se o Brasil é uma terra abençoada, temos que nos empenhar para que dê frutos!
Por fim, vale mencionar dois detalhes da imagem original – deixando as restantes riquezas desta devoção para serem descobertas pelos corações devotos. Sendo uma imagem dos Divinos Corações, ela se reveste de singular significado nestes tempos de apostasia da fé. A meditação e contemplação dos Divinos Corações têm sido promovida pela Igreja de modo especial nos últimos dois séculos, como forma de ajudar a humanidade a redescobrir o infinito Amor de Deus revelado em Jesus Cristo, única esperança deste mundo. De fato, a Virgem Santíssima, cujas aparições se têm propagado nas últimas décadas, preparando a humanidade para os desafios que estão por vir, por vezes nos exortou a não temer, pois, no fim, seu Imaculado Coração triunfará.
Por outro lado, os traços índios e mestiços da Imagem são um reflexo da lógica da Encarnação: Deus, sem deixar de ser o que é, se transforma no que não é, para salvar aqueles que estão longe dEle! São duas coisas irrenunciáveis na vocação cristã ao apostolado: sem renunciar a ser o que somos por vocação, isto é, sem jamais abrir mão das verdades de nossa fé e da renúncia a todo tipo de pecado, fazermo-nos como São Paulo: “assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. Com os judeus, me fiz judeu, para ganhar os judeus. Com os súditos da Lei, me fiz súdito da Lei – embora não fosse mais súdito da Lei –, para ganhar os súditos da Lei. Com os sem-Lei, me fiz um sem-lei – eu que não era sem a lei de Deus, já que estava na lei de Cristo –, para ganhar os sem-lei. Com os fracos me fiz fraco, para ganhar os fracos. Para todos eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns” (1Cor 9,19-22). Também a Virgem Maria se apresenta a cada povo com os traços que A tornam mais atraente para os corações humildes. Não por alguma ideologia passageira – e as há em tanta profusão, atualmente! – mas por sincera caridade, a qual jamais se separa da Verdade!
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- Dia 1 Dia 1 — Novena a Nossa Senhora do Brasil Ignorância do Mal
- Dia 2 Dia 2 — Novena a Nossa Senhora do Brasil Adesão à Vontade Divina
- Dia 3 Dia 3 — Novena a Nossa Senhora do Brasil Companheirismo espiritual
- Dia 4 Dia 4 — Novena a Nossa Senhora do Brasil Confiança na Vitória
- Dia 5 Dia 5 — Novena a Nossa Senhora do Brasil A Busca de Deus e da Criatura
- Dia 6 Dia 6 — Novena a Nossa Senhora do Brasil A Hora
- Dia 7 Dia 7 — Novena a Nossa Senhora do Brasil O Sentido da Vida
- Dia 8 Dia 8 — Novena a Nossa Senhora do Brasil Maria, Corredentora e Medianeira de todas as Graças
- Dia 9 Dia 9 — Novena a Nossa Senhora do Brasil Maria, Mãe da Igreja
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