Novena a Nossa Senhora do Brasil
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Dia 5 de 9

Dia 5 — Novena a Nossa Senhora do Brasil

A Busca de Deus e da Criatura

Filho, por que agiste assim conosco? Olha, teu pai e eu andávamos, angustiados, à tua procura!

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Orações do dia 5

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Orações

A Busca de Deus e da Criatura

Filho, por que agiste assim conosco? Olha, teu pai e eu andávamos, angustiados, à tua procura! (Lc 2, 48) Tenho sede! (Jo 19, 28)

Neste quinto dia de novena, a Palavra de Jesus e Maria nos propõem o tema da busca recíproca e do desejo ardente entre o Deus Criador e o homem, sua criatura. Aquele “Tenho sede!” que Nosso Senhor exclamou depois de várias horas de suplício não era uma mera constatação fisiológica de desidratação – pois Ele o fez, como relata S. João, “para que se cumprisse a Escritura” (Jo 19, 28; cf. Sl 69 (68), 22). Lembremos do episódio da mulher de Sicar (Jo 4): chegando por volta do meio dia a uma fonte situada nos arredores da cidade, Jesus sentou-se, e logo depois chegou uma mulher, à qual pediu: “Dá-me de beber!” (v. 7). Seu verdadeiro propósito, porém, não era obter da mulher um copo d’água – essa foi apenas a deixa para encetar a conversa. Seu objetivo, na verdade, era dar a ela a água viva (v. 10) – água da qual quem beber nunca mais terá sede, porque ela se tornará nele uma fonte que jorra para a vida eterna (v. 14). A mulher, então, acreditou que ele era o Messias, e saiu correndo à cidade para anunciar a grande novidade: e o mesmo Jesus que antes estava com fome e fatigado da viagem (v. 6) agora recusava comida, explicando aos discípulos ter se alimentado de um alimento que eles não conheciam (v. 32). Embora Deus, em sua infinita bondade e grandeza, não precisasse minimamente de sua criatura, Ele como que quis precisar dela: Ele quis ter sede de cada um de nós, e saciar-se quando Lhe damos nosso sim. Chegam a comover-nos as palavras com que Ele nos fala de sua preocupação conosco: “Assim fala o Senhor, aquele que te criou, Jacó, aquele que te formou, Israel: ‘Não tenhas medo, pois eu te resgatei, chamei-te pelo teu nome, tu és meu! (…) Pois eu sou o Senhor, o teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador! (…) Porque és precioso aos meus olhos, e foste glorificado, eu te amo!’” (Is 43, 1-4). Aquele que criou e sustenta no ser todas as galáxias do universo nos ama como um pai carinhoso a uma criancinha manhosa: “Quando Israel era menino, eu já o amava, e desde o Egito chamei meu filho. Quanto mais eu os chamava, tanto mais eles se afastavam de mim; imolavam aos Baals e sacrificavam aos ídolos. Ensinei Efraim a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços, mas eles não reconheceram que eu cuidava deles. Eu os atraía com laços de humanidade, com laços de amor; era para eles como quem leva uma criança ao colo. (…) O meu povo inclina-se a pecar contra mim; é chamado para o alto, mas não faz por elevar-se. (…) Meu coração comove-se no íntimo e arde de compaixão” (Os 11, 1-8). “Vivemos como se o Senhor estivesse lá longe, onde brilham as estrelas, e não consideramos que também está sempre ao nosso lado. E está como um Pai amoroso –quer mais a cada um de nós do que todas as mães do mundo podem querer a seus filhos –, ajudando-nos, inspirando-nos, abençoando… e perdoando”[14]. Se a Palavra de Jesus nos fala do Deus que deseja estar com os homens, a Palavra de Maria reflete a mais perfeita das criaturas buscando seu Criador: “Filho, (…) teu pai e eu andávamos, angustiados, à tua procura!” A expressão de Maria – Filho! – surpreende por sua espontaneidade – sobretudo se lembrarmos que a reação típica dos patriarcas diante da presença de Deus era o medo: Abraão sentiu terror e caiu de rosto por terra (Gn 15, 12; 17, 3); Jacó ficou cheio de pavor (Gn 28, 17); e Moisés escondeu o rosto, pois temia olhar para Deus (Ex 3, 6). Maria, no entanto, era verdadeira Mãe do Redentor, e por isso podia falar-lhe com simplicidade – e também nós o podemos, nós a quem o Senhor chama amigos (cf. Jo 15, 15): “Perde o medo de chamar o Senhor pelo seu nome – Jesus – e de Lhe dizer que O amas”[15]. Se é este o caso: se Deus, por um lado, deseja ardentemente celebrar conosco a Páscoa eterna, e se por outro lado “o homem tem em si uma sede de infinito, uma saudade de eternidade, uma busca de beleza, um desejo de amor, uma necessidade de luz e de verdade, que o impelem rumo ao Absoluto; o homem tem em si o desejo de Deus” , então o que impede este encontro? Por que nem sempre estamos próximos de Deus?[16] A verdade é que nosso pecado nos afasta dEle, nos leva a escondermo-nos, como Adão e Eva, por entre as árvores do jardim (Gn 3, 8) – mas mesmo quando pecamos, Deus não fica longe de nós. Basta um olhar de nossa parte, um gesto que busque o perdão, e ele nos estende os braços, pronto a nos acolher. Que graça seria aproveitarmos da novena para fazer uma boa Confissão, para mais uma vez nos reconciliarmos radicalmente com Deus! ______ 14. São Josemaria Escrivá, Caminho, n. 267. 15. São Josemaria Escrivá, Caminho, n. 303. 16. Bento XVI, Audiência Geral, 11/05/2011.

Sinal da Cruz

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Maria, exemplo de busca de Deus

Ó amorosíssima Virgem Maria, que por toda a vida buscastes o Senhor através do cumprimento perfeito de Sua vontade, obtende-me a graça de amar a Deus acima de todas as Suas criaturas, e acima de minha própria vida, para que meu coração inquieto encontra nEle seu repouso. Alcançai também a todos os que têm fome e sede de santidade que, alcançando aquele que é Santo, sejam saciados. Amém.

Oração

Rogai por nós, Nossa Senhora do Brasil, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Sinal da Cruz

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

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