Orações
A Busca de Deus e da Criatura
Filho, por que agiste assim conosco? Olha, teu pai e eu andávamos, angustiados, à tua procura! (Lc 2, 48) Tenho sede! (Jo 19, 28)
Neste quinto dia de novena, a Palavra de Jesus e Maria nos propõem o tema da busca recíproca e do desejo ardente entre o Deus Criador e o homem, sua criatura. Aquele “Tenho sede!” que Nosso Senhor exclamou depois de várias horas de suplício não era uma mera constatação fisiológica de desidratação – pois Ele o fez, como relata S. João, “para que se cumprisse a Escritura” (Jo 19, 28; cf. Sl 69 (68), 22). Lembremos do episódio da mulher de Sicar (Jo 4): chegando por volta do meio dia a uma fonte situada nos arredores da cidade, Jesus sentou-se, e logo depois chegou uma mulher, à qual pediu: “Dá-me de beber!” (v. 7). Seu verdadeiro propósito, porém, não era obter da mulher um copo d’água – essa foi apenas a deixa para encetar a conversa. Seu objetivo, na verdade, era dar a ela a água viva (v. 10) – água da qual quem beber nunca mais terá sede, porque ela se tornará nele uma fonte que jorra para a vida eterna (v. 14). A mulher, então, acreditou que ele era o Messias, e saiu correndo à cidade para anunciar a grande novidade: e o mesmo Jesus que antes estava com fome e fatigado da viagem (v. 6) agora recusava comida, explicando aos discípulos ter se alimentado de um alimento que eles não conheciam (v. 32). Embora Deus, em sua infinita bondade e grandeza, não precisasse minimamente de sua criatura, Ele como que quis precisar dela: Ele quis ter sede de cada um de nós, e saciar-se quando Lhe damos nosso sim. Chegam a comover-nos as palavras com que Ele nos fala de sua preocupação conosco: “Assim fala o Senhor, aquele que te criou, Jacó, aquele que te formou, Israel: ‘Não tenhas medo, pois eu te resgatei, chamei-te pelo teu nome, tu és meu! (…) Pois eu sou o Senhor, o teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador! (…) Porque és precioso aos meus olhos, e foste glorificado, eu te amo!’” (Is 43, 1-4). Aquele que criou e sustenta no ser todas as galáxias do universo nos ama como um pai carinhoso a uma criancinha manhosa: “Quando Israel era menino, eu já o amava, e desde o Egito chamei meu filho. Quanto mais eu os chamava, tanto mais eles se afastavam de mim; imolavam aos Baals e sacrificavam aos ídolos. Ensinei Efraim a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços, mas eles não reconheceram que eu cuidava deles. Eu os atraía com laços de humanidade, com laços de amor; era para eles como quem leva uma criança ao colo. (…) O meu povo inclina-se a pecar contra mim; é chamado para o alto, mas não faz por elevar-se. (…) Meu coração comove-se no íntimo e arde de compaixão” (Os 11, 1-8). “Vivemos como se o Senhor estivesse lá longe, onde brilham as estrelas, e não consideramos que também está sempre ao nosso lado. E está como um Pai amoroso –quer mais a cada um de nós do que todas as mães do mundo podem querer a seus filhos –, ajudando-nos, inspirando-nos, abençoando… e perdoando”[14]. Se a Palavra de Jesus nos fala do Deus que deseja estar com os homens, a Palavra de Maria reflete a mais perfeita das criaturas buscando seu Criador: “Filho, (…) teu pai e eu andávamos, angustiados, à tua procura!” A expressão de Maria – Filho! – surpreende por sua espontaneidade – sobretudo se lembrarmos que a reação típica dos patriarcas diante da presença de Deus era o medo: Abraão sentiu terror e caiu de rosto por terra (Gn 15, 12; 17, 3); Jacó ficou cheio de pavor (Gn 28, 17); e Moisés escondeu o rosto, pois temia olhar para Deus (Ex 3, 6). Maria, no entanto, era verdadeira Mãe do Redentor, e por isso podia falar-lhe com simplicidade – e também nós o podemos, nós a quem o Senhor chama amigos (cf. Jo 15, 15): “Perde o medo de chamar o Senhor pelo seu nome – Jesus – e de Lhe dizer que O amas”[15]. Se é este o caso: se Deus, por um lado, deseja ardentemente celebrar conosco a Páscoa eterna, e se por outro lado “o homem tem em si uma sede de infinito, uma saudade de eternidade, uma busca de beleza, um desejo de amor, uma necessidade de luz e de verdade, que o impelem rumo ao Absoluto; o homem tem em si o desejo de Deus” , então o que impede este encontro? Por que nem sempre estamos próximos de Deus?[16] A verdade é que nosso pecado nos afasta dEle, nos leva a escondermo-nos, como Adão e Eva, por entre as árvores do jardim (Gn 3, 8) – mas mesmo quando pecamos, Deus não fica longe de nós. Basta um olhar de nossa parte, um gesto que busque o perdão, e ele nos estende os braços, pronto a nos acolher. Que graça seria aproveitarmos da novena para fazer uma boa Confissão, para mais uma vez nos reconciliarmos radicalmente com Deus! ______ 14. São Josemaria Escrivá, Caminho, n. 267. 15. São Josemaria Escrivá, Caminho, n. 303. 16. Bento XVI, Audiência Geral, 11/05/2011.
Sinal da Cruz Signum Crucis
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Amen.
Maria, exemplo de busca de Deus Maria, exemplo de busca de Deus
Ó amorosíssima Virgem Maria, que por toda a vida buscastes o Senhor através do cumprimento perfeito de Sua vontade, obtende-me a graça de amar a Deus acima de todas as Suas criaturas, e acima de minha própria vida, para que meu coração inquieto encontra nEle seu repouso. Alcançai também a todos os que têm fome e sede de santidade que, alcançando aquele que é Santo, sejam saciados. Amém.
Ó amorosíssima Virgem Maria, que por toda a vida buscastes o Senhor através do cumprimento perfeito de Sua vontade, obtende-me a graça de amar a Deus acima de todas as Suas criaturas, e acima de minha própria vida, para que meu coração inquieto encontra nEle seu repouso. Alcançai também a todos os que têm fome e sede de santidade que, alcançando aquele que é Santo, sejam saciados. Amém.
Oração Oração
Rogai por nós, Nossa Senhora do Brasil, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Rogai por nós, Nossa Senhora do Brasil, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Sinal da Cruz Signum Crucis
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Amen.