Novena a Nossa Senhora do Brasil
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Dia 7 de 9

Dia 7 — Novena a Nossa Senhora do Brasil

O Sentido da Vida

Fazei tudo o que ele vos disser! (Jo 2, 5) Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.

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Orações do dia 7

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Orações

O Sentido da Vida

Fazei tudo o que ele vos disser! (Jo 2, 5) Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. (Lc 23, 46)

A questão do sentido da vida humana é, no fundo, a questão do significado de nossa liberdade. O que, afinal, faz de alguém uma pessoa livre? Que é a liberdade? Os homens de hoje costumam conceber a liberdade como a “licença de fazer seja o que for, (…) contanto que agrade”[18]. Em o fazendo, julgam-se “críticos” e avant-garde – e no entanto nada mais fazem que ecoar o hedonismo ensaiado a cada época por seu bufão. No paganismo erudito da Antiguidade, Catulo metrificava em hendecassílabos “Vivamos, ó minha Lésbia, e amemos!”[19]; no paganismo pomposo do Renascimento, a Violetta de Verdi solfejava que “Tudo no mundo é loucura, a não ser o prazer!”[20]; no paganismo bestializante da Modernidade, rebola-se ao martelar de um “Não se reprima, não se reprima, não se reprima”. Acontece, porém, que a real liberdade, ao contrário do que pensam tantos de nossos contemporâneos, não está no poder de escolher o mal: pelo contrário, nós cristãos anunciamos ao mundo que a “liberdade verdadeira” é aquela pela qual o homem, “libertando-se da escravidão das paixões”, torna-se capaz de alcançar o bem[21]. Se um virtuose de renome consegue tocar Bach ou Beethoven sem deixar transparecer esforço, isto só é assim por causa das dezenas de milhares de horas de árduo trabalho, pautado por rigorosa disciplina. Não fossem as leis da teoria musical e as regras do estudo técnico, não poderíamos desfrutar de seu concerto. Poderíamos resumir dizendo que o sentido último da vida de todo ser humano é a felicidade, e que a felicidade é a experiência de conseguir alcançar o verdadeiro bem, através de um condicionamento interior (chamado liberdade) que torne a natureza racional do homem capaz de prevalecer sobre seus instintos e apetites animais. O mais excelso bem que alguém jamais poderia alcançar, no entanto, é o próprio Senhor que é fonte da própria bondade, Pai incriado, do qual procedem todas as coisas boas[22] – e por isso a mais perfeita liberdade consiste em abandonar-se inteiramente nas mãos de Deus. Por detrás de todas as vicissitudes e percalços da história, e por sobre as ações livres de suas criaturas, é Deus em sua Providência quem “cuida de tudo, desde os mais insignificantes pormenores até aos grandes acontecimentos do mundo e da história”[23]. É esta entrega, este abandonar-se todo inteiro nas mãos de Deus que se reflete na Sétima Palavra de Nosso Senhor e de sua Mãe. Jesus, ao deitar seu espírito no Calvário, entregou-Se a Si próprio ao Pai, e Maria, ao sair de cena em Caná, nos pediu que nos entreguemos a nós mesmos ao Filho. Nosso Senhor passou toda a sua vida terrestre ocupando-se da vontade de seu Pai “eu devo estar naquilo que é de meu Pai” (Lc 2, 49); “eu sempre faço o que é do seu agrado” (Jo 8, 29); “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23, 46). Também Nossa Senhora, nas últimas palavras suas registradas na Escritura, exortou-nos ao pleno abandono: “Fazei tudo o que ele vos disser!” (Jo 2, 5). Se no Getsemâni a oração de Jesus tivesse sido apenas “Meu Pai, passe de mim este cálice”, ela teria sido uma autoafirmação da própria vontade, por cima e contra a vontade de Deus. Mas Nosso Senhor rezou: “não seja como eu quero, mas como tu queres”. Oxalá possamos nós também – ainda que em meio a dores, ainda que pesarosos, ainda que sem entender muito bem os motivos – dizer sempre um confiante Amén à vontade do Pai. ______ 18. Vaticano II, Gaudium et Spes, n. 17. 19. Vivamus, mea Lesbia, atque amemus (Ode n. 5). 20. Tutto è follia, follia nel mondo, ciò che non è piacer (dueto “Libiamo ne’ lieti calici”) 21. Vaticano II, Gaudium et Spes, n. 17. 22. De um belo hino penitencial chamado Kyrie fons bonitatis. 23. Catecismo da Igreja Católica, n. 303.

Sinal da Cruz

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Maria, exemplo de entrega à vontade do Pai

Ó fidelíssima Virgem Maria, que repetistes o mesmo Fiat que destes na Anunciação também na rejeição de Belém, na fuga ao Egito, na simplicidade de Nazaré, na dor do Calvário e em cada pequena circunstância de vossa vida, obtende-me a graça de pedir com sinceridade ao Pai que seja feita a Sua vontade, não a minha. Ajudai os que padecem sofrimentos a entender que todos os males cooperam para o bem dos que amam a Deus. Amém.

Oração

Rogai por nós, Nossa Senhora do Brasil, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Sinal da Cruz

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

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