Capítulo XXXVI

A prática da virtude exige aplicação constante

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Entre todas as coisas que contribuem para alcançar nosso objetivo presente, isto é, a aquisição das virtudes cristãs, o desejo sincero de avançar continuamente é de máxima importância, pois a menor pausa nos retarda.

No momento em que deixamos de praticar atos de virtude, nossas inclinações, naturalmente voltadas para o descanso e os prazeres dos sentidos, despertam em nós apetites desordenados que derrubam ou ao menos enfraquecem os hábitos virtuosos. Isso sem contar a perda das incontáveis graças que poderíamos ter merecido mediante uma aplicação constante ao progresso espiritual.

Nisso se encontra a diferença entre uma viagem sobre a terra e aquela que conduz ao Céu. Na primeira, podemos parar sem receio de retroceder, e o repouso é necessário para conservarmos as forças até o fim do caminho; na segunda, porém, que conduz à perfeição, nossas forças crescem na proporção em que avançamos, pois os apetites inferiores, que colocam todos os obstáculos possíveis no caminho do Céu, enfraquecem gradualmente, enquanto nossas boas inclinações adquirem novo vigor.

Assim, à medida que avançamos na piedade, as primeiras dificuldades ficam para trás e cresce em nossa alma certo deleite com o qual Deus adoça as amarguras desta vida. Prosseguindo alegremente de virtude em virtude, chegamos enfim ao cume da montanha, o cume da perfeição, estado feliz em que a alma pratica a virtude não somente sem repugnância, mas com facilidade espontânea e prazer inefável. Vitoriosa sobre as paixões, sobre o mundo e sobre si mesma, ela vive em Deus e, por meio d’Ele, goza de serena paz no meio de seus contínuos trabalhos.