Capítulo LXI
Do modo como devemos perseverar no combate espiritual até a morte
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Um dos requisitos do combate espiritual é a perseverança na contínua mortificação de nossas paixões indisciplinadas, pois elas jamais são inteiramente subjugadas nesta vida, mas lançam raízes no coração humano como ervas daninhas em solo fértil. Essa é uma batalha da qual não podemos escapar e um inimigo que não podemos evitar. A luta contra as paixões durará toda a vida, e aquele que depuser as armas será morto.
Além disso, devemos combater inimigos que nos odeiam com furor inextinguível e estão inteiramente consagrados à nossa destruição. Quanto mais procurarmos fazer deles nossos amigos, tanto mais procurarão arruinar-nos.
Não te espantes, porém, com sua força ou seu número. Nessa guerra, somente é vencido aquele que se rende voluntariamente, e todo o poder de nossos inimigos está nas mãos do Capitão sob cujo estandarte combatemos. Ele não apenas nos preservará da traição, mas será nosso Defensor. Infinitamente superior a todos os adversários, Ele te coroará com a vitória, contanto que, como guerreiro, não te apoies em tuas forças limitadas, mas em Seu poder onipotente e em Sua bondade infinita.
Se, contudo, Ele parecer tardar em socorrer-te e aparentemente te deixar no fogo extenuante do inimigo, não desanimes; combate antes com resolução, firmemente convencido de que Ele transformará tudo quanto te sobrevier em benefício definitivo, e a própria coroa inesperada da vitória será tua.
Quanto a ti, jamais abandones teu Comandante, que por tua causa não recuou diante da própria morte e que, morrendo no monte Calvário, venceu o mundo inteiro. Combate corajosamente sob Suas insígnias e não deponhas as armas enquanto restar um só inimigo, pois um único vício negligenciado será uma trave em teu olho e um espinho em teu lado, impedindo-te continuamente de triunfar em tua causa gloriosa e vitoriosa.