Capítulo LXII
Da preparação contra os inimigos que nos assaltam na hora da morte
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Embora toda a nossa vida sobre a terra seja uma guerra contínua, é certo que o último dia de batalha será o mais perigoso, pois aquele que cair nesse dia cairá para nunca mais se levantar.
Para estarmos preparados, devemos preparar-nos desde agora, pois quem combate bem durante a vida alcançará com maior facilidade a vitória no assalto final. Medita também sobre a morte e considera seu significado, pois essa reflexão afastará o terror que nos atinge quando ela se aproxima e dará à mente maior liberdade para o combate.
Os homens mundanos não suportam o pensamento da morte; recusam-se a pensar nela para não serem afastados dos prazeres terrenos nos quais depositaram seus afetos. O pensamento de perder as coisas passageiras é naturalmente repugnante e doloroso para aquele que se esquece das eternas. Assim, os afetos dos mundanos prendem-se cada dia mais firmemente a este mundo; e, dia após dia, a contemplação da perda das coisas terrenas semeia terror crescente, sobretudo no coração daqueles que por mais tempo gozaram da vida mundana.
Para te preparares para a tremenda passagem do tempo à eternidade, imagina-te alguma vez inteiramente só diante das agonias da morte e considera as coisas que mais provavelmente te perturbariam naquela hora. Depois, imprime profundamente em teu coração os remédios que proporei para serem empregados quando a situação se apresentar. O golpe que só pode ser dado uma vez deve ser bem ensaiado, pois um erro definitivo significa uma eternidade de remorso e miséria.